Bolsas de Nova York têm pior mês desde maio de 2012

As bolsas de Nova York fecharam em baixa nesta sexta-feira, 30, registrando a maior sequência de quedas mensais em mais de um ano e fechando o pior mês desde maio de 2012. Os investidores passaram todo o mês de agosto preocupados com a possível diminuição de estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) em setembro e, na última semana, reagiram mal à possibilidade de uma intervenção militar na Síria. Os negócios nesta sexta-feira tiveram liquidez reduzida antes do feriado do Dia do Trabalho, na segunda-feira, 2, nos EUA.

AE, Agencia Estado

30 de agosto de 2013 | 17h58

O índice Dow Jones caiu 30,64 pontos (0,21%) e encerrou aos 14.810,31 pontos. Na semana, a queda foi de 1,33% e, no mês, o Dow liderou as perdas com forte baixa de 4,58% - a maior desde maio de 2012. Apesar da forte perda este mês, o Dow avançou um total de 13% desde o início do ano e atingiu um novo recorde histórico no dia 2.

O S&P 500 recuou 5,20 pontos (0,32%), para 1.632,97 pontos. As perdas na semana e no mês foram de 1,84% e 3,14%, respectivamente. Já o Nasdaq perdeu 30,43 pontos (0,84%) e fechou aos 3.589,87 pontos, recuando 1,86% na semana e 0,74% no mês. As tensões geopolíticas continuaram nesta sexta. Os mercados financeiros mostraram-se aliviados com a decisão do Parlamento da Grã-Bretanha, nesta quinta-feira, 29, de rejeitar a participação do país numa eventual ação militar ocidental na Síria, mas a fala do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, voltou a trazer nervosismo ao mercado. No discurso, Kerry afirmou que o serviço de inteligência americano tem "alta convicção" sobre provas de que o presidente sírio, Bashar Assad, usou armas químicas num ataque a civis nos arredores de Damasco na semana passada.

O presidente dos EUA, Barack Obama, discursou em seguida e afirmou que "não tomou nenhuma decisão" sobre o assunto, mas que considera uma ação "limitada". "A única variável que realmente importa é a possibilidade de uma intervenção na Síria. Uma parte da volatilidade que vimos esta semana foi, certamente, relacionada a notícias do Oriente Médio", disse o gestor de portfólio da Federated Investors, Lawrence Creatura.

No campo macroeconômico, os últimos dados dos EUA vieram mistos e falharam em apontar uma direção mais clara para a política de estímulos do Fed. De acordo com o Departamento do Comércio, a renda e os gastos dos consumidores no país cresceram 0,1% em julho ante o mês anterior. Economistas consultados pela Dow Jones Newswires previam acréscimos maiores, de 0,2% e 0,3%, respectivamente. O índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) subiu 1,4% em julho ante um ano antes, permanecendo bem abaixo da meta de inflação anual do Fed, de 2,0%. Na comparação mensal, o PCE subiu 0,1%.

Em Chicago, o índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial, medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM), subiu para 53 em agosto, de 52,3 em julho, ficando em linha com a previsão. O índice de sentimento do consumidor, compilado pela Reuters/Universidade de Michigan, caiu para 82,1 na leitura final de agosto, de 85,1 em julho, mas ficou acima da leitura preliminar deste mês, de 80,0. Além disso, o dado de confiança superou a previsão dos analistas, de uma leitura final de 80,5.

O mercado acionário pode não melhorar em setembro, que é historicamente o pior mês do ano para as ações. O Dow caiu em 67 dos 116 meses de setembro de sua história, ou 58% das vezes. A queda média para o mês é de 1,1%. No noticiário corporativo, as ações da Salesforce.com saltaram 13% após a empresa elevar as projeções de lucro e receita para 2013. Os papeis da Apache subiram 9,2% após a companhia concordar em vender um terço de sua participação em uma operação no Egito para a chinesa Sinopec, por US$ 3,1 bilhões.

Na Europa, as bolsas fecharam em forte queda - quatro delas nas mínimas da sessão -, com o fortalecimento das tensões com a Síria. O índice Stoxx 600 terminou o dia com baixa de 0,94%, aos 297,32 pontos. Na semana, o índice teve queda de 2,42% e, no mês, o recuo foi de 0,75%. Somente duas bolsas europeias tiveram ganhos em agosto: Lisboa e Milão. Enquanto isso, Londres liderou as perdas no mês, com queda de 2,40%. Fonte: Dow Jones Newswires.

Tudo o que sabemos sobre:
Bolsas de Valores

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.