Bolsas de NY abrirão de olho em anúncio do Fed

Os índices futuros apontam para uma abertura em alta das bolsas norte-americanas nesta terça-feira, 18. Mesmo após os fortes ganhos de segunda-feira, 18, as ações parecem encontrar fôlego para subir mais, em meio à expectativa para os resultados da reunião de política monetária do Federal Reserve, que começa hoje, e para o desenrolar da crise na Ucrânia. Nesta manhã, indicadores mostraram inflação dentro do esperado em fevereiro e uma tendência do aumento da construção de moradias nos próximos meses. Às 10h20 (de Brasília), o Dow Jones futuro subia 0,25%, o S&P 500 avançava 0,20% e o Nasdaq ganhava 0,14%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

18 de março de 2014 | 10h32

A inflação de fevereiro ficou em 0,1%, de acordo com o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), dentro do esperado. Já a construção de moradias iniciadas caiu 0,2% em fevereiro. Mas a permissão para a construção de residências, que sinaliza tendências para os próximos meses, subiu 7,7%. Uma análise dos economistas do Bank of America Merrill Lynch mostra que, se por um lado a demanda de pessoas físicas anda meio fraca, o interesse de investidores em comprar imóveis é forte.

Para a reunião do Fed, a previsão dos economistas é de novo corte de US$ 10 bilhões nas compras de ativos. Além disso, os dirigentes devem reduzir o gatilho de 6,5% da taxa de desemprego que provocaria elevação da taxa de juros. O economista do Bank of America Merrill Lynch, Ethan Harris, avalia que o atual gatilho é inútil, dada a queda recente do desemprego. "Esperamos uma melhora qualitativa da diretriz futura e que o Fed ressalte que as taxas de juros vão demorar a subir nos EUA", destaca em um relatório a investidores. O Fed anuncia sua decisão de política monetária na quarta-feira, 19.

Na Ucrânia, segue a expectativa com o desenrolar da crise. O presidente russo, Vladimir Putin, assinou hoje um tratado para a anexação formal da Crimeia. Ontem, a Casa Branca e a União Europeia anunciaram sanções à Rússia, consideradas tímidas pelos especialistas do Peterson Institute for Internacional Economics, um centro de estudos econômicos e políticos de Washington. Para o especialista em comércio internacional do instituto, Jeffrey Schott, essas medidas são apenas "simbólicas", sem muitos efeitos práticos. Por enquanto, as sanções são para autoridades russas e ucranianas, que incluem o cancelamento de vistos e o congelamento de ativos no exterior. A expectativa agora é se virão sanções econômicas mais fortes.

Em discurso mais cedo, Putin disse ao Parlamento em Moscou que a Rússia não pretende anexar nenhuma outra parte da Ucrânia além da Crimeia, que no fim de semana decidiu em referendo voltar a fazer parte do território russo. O pronunciamento ajudou os futuros de Nova York a apagar perdas e passar a operar em território positivo.

No noticiário corporativo, algumas empresas divulgam resultados trimestrais, como a locadora de veículos Hertz, a gigante de tecnologia Oracle e a Adobe, fabricante de software de leitura de textos. A Hertz divulgou prejuízo de US$ 600 mil e alta de 10% nas receitas nos três meses encerrados em dezembro, números abaixo do esperado. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou uma separação da unidade de aluguel de equipamentos e uma recompra de ações que pode chegar a US$ 1 bilhão. No pré-mercado, o papel subia 0,96%.

A General Motors deve seguir no radar dos investidores após anunciar o recall de mais 1,7 milhão de veículos. A presidente executiva, Mary Barra, postou um vídeo reconhecendo que algumas coisas foram "muito erradas" nos procedimentos de segurança da GM. A montadora é acusada de atrasar em mais de uma década o recall de 1,6 milhão de carros e está sendo investigada por Washington. No pré-mercado, a ação ganhava 0,47%.

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