Bolsas de NY caem com hipotecas e alta de juros na China

Pimco, BlackRock e Fed de NY estão tentando forçar o BofA a recomprar US$ 47 bilhões em hipotecas problemáticas

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

19 de outubro de 2010 | 19h17

Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em queda, reagindo a um aumento inesperado nas taxas de juro da China, a dados corporativos e à notícia de que a Pimco, o BlackRock e o Fed de Nova York estão tentando forçar o Bank of America (BofA) a recomprar US$ 47 bilhões em hipotecas problemáticas.

"É um lembrete de que toda essa bagunça das hipotecas continua sem solução", disse Brian Lazorishak, gerente de carteiras de investimento e analista do Chase Investment Counsel.

O índice Dow Jones caiu 165,07 pontos, ou 1,48%, para 10.978,62 pontos. O Nasdaq recuou 43,71 pontos, ou 1,76%, para 2.436,95 pontos. O S&P 500 fechou em queda de 18,81 pontos, ou 1,59%, para 1.165,90 pontos.

Mais cedo, o Wall Street Journal divulgou que um grupo de investidores institucionais do mercado de bônus estava aumentando a pressão para recuperar parte das perdas sofridas com carteiras de hipotecas do Bank of America. Posteriormente, a agência de notícias Bloomberg divulgou quem eram os investidores e os nomes deixaram o mercado nervoso. O BlackRock é o maior gerente de fundos do mundo, enquanto a Pimco controla o maior fundo de bônus do globo.

"A notícia citou a Pimco e o Fed de Nova York, que obviamente são dois gorilas que podem fazer essa história render", disse Tom Donino, sócio e codiretor de negociações da First New York Securities. "São dois pesos-pesados e isso deixou as pessoas um pouco assustadas, especialmente porque o mercado já estava fraco", acrescentou.

As bolsas operaram em território negativo desde a abertura do pregão nesta terça-feira. Entre os fatores responsáveis pelo declínio dos índices, estava a decisão do banco central da China de elevar as taxas de depósito e de empréstimo pela primeira vez desde dezembro de 2007, em 0,25 ponto porcentual. A medida provocou aversão ao risco e pesou sobre os mercados de ações e commodities, beneficiando ativos como o dólar e os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA).

As ações também foram pressionadas por alguns dos resultados corporativos divulgados recentemente. Ontem, após o fechamento das bolsas, a Apple anunciou um aumento de 70% em seu lucro do terceiro trimestre, mas os investidores ficaram decepcionados com o declínio na margem bruta da companhia e com os números de venda de iPads. Os papéis da Apple fecharam a sessão de hoje em queda de 2,64%.

As ações da IBM - que também apresentou seu balanço ontem à noite - caíram 3,36% nesta terça-feira. A companhia divulgou um crescimento de 12% no lucro do terceiro trimestre, mas alguns analistas demonstraram receio com a queda no volume de contratos assinados na divisão de serviços.

Outro balanço que preocupou foi o do Bank of America, apresentado hoje cedo. O prejuízo do banco aumentou pouco mais de sete vezes no terceiro trimestre em comparação a igual período do ano passado, para US$ 7,3 bilhões. As ações do banco recuaram 4,38%.

"O mercado estava em uma via de mão única, subindo há seis ou sete semanas, e agora é hora de respirar", disse Peter Boockvar, diretor-gerente e estrategista de ações da Miller Tabak. Segundo ele, os investidores estão prestando mais atenção a notícias corporativas do que a dados econômicos e perceberam que "não poderão passar pela temporada de balanços de olhos fechados".

Entre os indicadores divulgados hoje, o Departamento do Comércio dos EUA divulgou que as obras residenciais iniciadas no país cresceram 0,3% em setembro. As permissões para novas construções, no entanto, caíram 5,6%. As informações são da Dow Jones.

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