Bolsas de NY caem, mas acumulam ganhos em abril

No mês, o índice Dow Jones teve alta de 1,4%, enquanto o S&P 500 subiu 1,48%. Já o índice eletrônico Nasdaq avançou 2,64%

Gustavo Nicoletta, da, Agência Estado

30 de abril de 2010 | 18h57

Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em baixa, puxados pelo declínio nos papéis do segmento financeiro após a notícia de que o escritório da promotoria federal norte-americana em Manhattan está conduzindo uma investigação criminal para determinar se o Goldman Sachs ou seus funcionários cometeram fraude com produtos lastreados a hipotecas.

A investigação, em estágio inicial, deriva da denúncia apresentada pela Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários norte-americana) contra o Goldman Sachs, de acordo com o Wall Street Journal. O analista Guy Moszkowski, do Bank of America Merrill Lynch, reduziu a nota de recomendação das ações do banco para "neutra", de "comprar", afirmando que "a maior parte dessas investigações termina de forma inconclusiva, sem acusações. No entanto, é muito difícil ver as ações progredirem antes desse assunto ter sido resolvido".

O Dow Jones caiu 158,71 pontos, ou 1,42%, para 11.008,61 pontos. Em relação à última sexta-feira, o índice teve queda de 1,75% e interrompeu uma sequência de oito semanas consecutivas de ganhos, mas acumulou ganho de 1,4% em abril.

Todos os componentes do Dow Jones encerraram a sessão em território negativo, puxados por um declínio de 3,2% nas ações do JPMorgan. O declínio nos papéis do segmento financeiro refletiu a preocupação dos investidores com a possibilidade de a investigação criminal sobre o Goldman Sachs ter desdobramentos sobre outros grandes bancos. As ações do Goldman - que não faz parte do Dow Jones - fecharam em baixa de 9,4%. Em abril, os papéis da instituição acumularam queda de 14,9%, seu pior desempenho mensal desde outubro de 2008.

O Nasdaq recuou 50,73 pontos, ou 2,02%, para 2.461,19 pontos, subindo 2,64% em abril, mas caindo 2,73% em relação à sexta-feira passada. O S&P 500 fechou em baixa de 20,09 pontos, ou 1,66%, a 1.186,69 pontos. Na semana, o índice perdeu 2,51%, mas no mês avançou 1,48%.

O declínio das ações ocorreu apesar de dados preliminares do Departamento de Comércio dos EUA mostrarem que a economia do país registrou um crescimento anualizado de 3,2% no primeiro trimestre - expansão 0,1 ponto porcentual menor do que a projetada pelos analistas -, puxada por um aumento de 3,6% nos gastos com consumo - o maior desde a alta de 3,7% registrada no primeiro trimestre de 2007.

O mesmo relatório mostrou que o núcleo do índice de preços para gastos com consumo (PCE) - que exclui os preços dos alimentos e da energia - aumentou 0,6% nos EUA no primeiro trimestre deste ano, depois de ter subido 1,8% no quarto trimestre do ano passado. O avanço foi o menor desde a leitura estável registrada no primeiro trimestre de 1959, o que sugere que o Federal Reserve provavelmente vai continuar mantendo as taxas de juros perto de zero.

"Estamos vivendo em um mundo de bom crescimento, nenhuma pressão inflacionária e bons lucros", disse Jeff Applegate, executivo-chefe de investimentos do Morgan Stanley Smith Barney. "Essa é uma mistura bastante favorável para os mercados de ações." Ele afirmou não estar preocupado com o recuo dos índices nessa sexta-feira, visto que outros declínios observados recentemente foram revertidos de forma rápida por terem sido considerados oportunidades para comprar. As informações são da Dow Jones.

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