Bolsas de NY devem abrir em alta após fala de Yellen

As bolsas de Nova York devem abrir a sessão desta quinta-feira com viés de alta, sinalizam os índices futuros. O Dow Jones e o S&P 500 futuro mantêm os ganhos da sessão anterior, quando fecharam em níveis recordes. Já o Nasdaq contraria a tendência e pode iniciar a sessão em baixa. O discurso de Janet Yellen para o Comitê Bancário do Senado, considerado ''dovish'' - ou mais preocupado com o desemprego do que com a inflação - ajudou a compensar balanços decepcionantes de algumas blue chips. Às 12h20 (de Brasília), o Dow Jones futuro subia 0,05%, o S&P 500 ganhava 0,11% e o Nasdaq recuava 0,25%.

Agencia Estado

14 de novembro de 2013 | 12h30

Dan McMahon, diretor da Raymond James, avalia que os recordes de ontem têm a ver com o otimismo em relação à economia e também com a esperança de contínuos estímulos do Federal Reserve. "As pessoas estão otimistas e é difícil não estar. Com a falta de catalisadores negativos, os mercados tendem a avançar", afirma.

O discurso de Yellen divulgado ontem à noite pelo Fed sinaliza que a dirigente acredita na necessidade de a economia avançar mais. Segundo ela, o desemprego ainda está muito alto e a economia tem um desempenho bastante inferior ao potencial. "Acredito que apoiar a recuperação hoje é o caminho mais certo para normalizar a política do Fed", disse ela.

O depoimento de Yellen, nomeada pelo presidente Barack Obama para comandar o Fed, começará às 13h (de Brasília). Os investidores estarão atentos à sessão de perguntas e respostas após o discurso, buscando dicas sobre o possível momento do início da redução das compras mensais de ativos do banco central.

Para o economista sênior do Deutsche Bank, Carl Riccadonna, Yellen vai evitar dar detalhes sobre o momento da redução de estímulos e da alta dos juros e não deve ir além do que já consta nos comunicados do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). "Ela deve continuar fazendo a distinção entre a redução das compras de bônus e o aumento dos juros", afirma.

Entre os indicadores econômicos divulgados nesta manhã, os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA voltaram a subir na semana encerrada em 9 de novembro, após quatro semanas seguidas de queda. A alta foi de 2 mil, para 339 mil, acima da previsão dos analistas, que esperavam 332 mil solicitações. Já a produtividade da mão de obra no país subiu a uma taxa anual de 1,9% no terceiro trimestre deste ano e o custo unitário da mão de obra caiu a uma taxa anual de 0,6% entre julho e setembro. Analistas previam alta de 2,4% na produtividade e queda de 0,5% no custo unitário da mão de obra no terceiro trimestre.

Além disso, o déficit comercial do país veio maior que o esperado. Segundo o Departamento do Comércio, o país teve déficit comercial de US$ 41,78 bilhões em setembro, incluindo ajustes sazonais, 0,8% maior que o saldo negativo de agosto, e acima do déficit de US$ 39,1 bilhões previsto por analistas. Segundo Paul Ashworth, economista-chefe para os EUA da Capital Economics, a queda nas exportações mostrada no relatório aponta para uma revisão para baixo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre.

Logo após os dados, o presidente do Fed da Filadélfia, Charles Plosser, criticou em seu discurso o uso da política monetária do banco central para visar o mercado de trabalho e pediu um mandato mais limitado para o Fed. Plosser não tem poder de voto no Fomc este ano, mas terá em 2014, ajudando a formar um Fomc mais ''hawkish'' no ano que vem.

No noticiário corporativo, a componente do Dow Jones Cisco Systems recuava 13% no pré-mercado, após o balanço da companhia, divulgado ontem, mostrar que a receita veio aquém da expectativa. Além disso, a perspectiva para o próximo trimestre veio abaixo das projeções atuais. Esses fatores superaram o aumento de US$ 15 bilhões no programa de recompra de ações da companhia.

Também componente do Dow, o WalMart perdia 1,7% após reportar que seu lucro superou as estimativas, mas não a receita.

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