Bolsas de NY devem abrir em queda com foco no Fed

Os índices futuros apontam para uma abertura em baixa das bolsas norte-americanas nesta terça-feira, dia em que começa a reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Com agenda esvaziada de indicadores, as atenções de Wall Street se concentram no encontro de dois dias dos dirigentes do banco central e os investidores fogem das ações de maior risco, principalmente de pequenas empresas e de tecnologia. Às 10h10 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones perdia 0,20%, o Nasdaq recuava 0,34% e o S&P 500 tinha baixa de 0,20%.

(ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Estadão Conteúdo

16 de setembro de 2014 | 10h36

Os investidores esperam que o comunicado final da reunião do Fomc traga algumas pistas sobre o processo de normalização da política monetária dos EUA, com os juros voltando a subir no país pela primeira vez desde 2008. Muitos bancos divulgaram relatórios nos últimos dias comentando o que pode mudar em cada parágrafo do texto. Analistas como os do Bank of America Merrill Lynch e Morgan Stanley falam da possibilidade de o documento ganhar um tom mais "hawkish", ou seja, defender juros mais altos.

A expectativa de que o comunicado final da reunião mostre um Fed mais próximo de elevar os juros tem levado os investidores a uma posição mais defensiva. Com isso, ações de algumas empresas do setor de tecnologia, como as de biotecnologia, começaram a cair desde ontem. Os papéis de pequenas empresas também. O índice Russell 2000, formado por ações destas companhias, perdeu 1,2% no pregão de segunda-feira, 15.

O banco francês Société Générale recomenda a seus clientes em um relatório nesta terça-feira, 16, diante da normalização da política monetária do Fed, os papéis de pequenas empresas estão com risco de correção maior. Por isso, a recomendação é procurar ações de grandes companhias, que são mais líquidas, nos EUA e na Europa.

Para a diretora da gestora BK Asset Management, Kathy Lien, apesar de indicadores mistos, como a produção industrial divulgada ontem que mostrou inesperada queda em agosto, os números da economia norte-americana no geral têm vindo bons e o consenso é que a recuperação dos EUA segue seu curso, o que faz crescer a expectativa de que os juros podem subir mais cedo em 2015. Nova mostra de força da atividade veio do índice Empire State de atividade em Nova York, que avançou para 27,5 em setembro, acima do previsto e atingindo o maior nível desde 2009.

Além disso, a diretora chama atenção para o dado divulgado nesta manhã. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) ficou estável em agosto, dentro do esperado por Wall Street. "O indicador mostra que não há pressão inflacionária", avalia Kathy, destacando que a inflação não será um fator capaz de desencadear alguma mudança na avaliação do Fed sobre a atividade econômica. A pressão para alta de preços se enfraqueceu nas últimas semanas por conta da queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

No mundo corporativo e de negócios, as atenções estão voltadas esta semana para a abertura de capital da chinesa Alibaba, um misto de loja de comércio eletrônico e sistema de buscas. Com a forte procura, a empresa elevou ontem o preço de venda das ações e muitos projetam que o IPO será o maior já feito nos EUA. A estreia na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) deve ocorrer na sexta-feira, 19.

A Apple continua nas páginas de negócios dos jornais e nos relatórios de bancos. Esta semana, dia 19, começa a venda do iPhone 6 no varejo e a empresa informou que recebeu volume recorde de pedidos para os novos aparelhos na pré-venda, que começou dia 12, e por isso deve ter atrasos no envio dos celulares. No pré-mercado, a ação recuava 1,63%.

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