Bolsas de NY recuam após rebaixamento pela S&P

Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em baixa, pressionados pelo fato de a agência de classificação de risco Standard & Poor''s ter rebaixado a perspectiva do rating do país de estável para negativa, alertando que o perfil fiscal norte-americano pode se tornar "significativamente mais fraco" em comparação ao de outras economias que detêm a nota AAA.

GUSTAVO NICOLETTA, Agencia Estado

20 de abril de 2011 | 14h42

"Acreditamos que há um risco material de as autoridades dos EUA não chegarem a um acordo a respeito de como abordar os desafios orçamentários de médio e de longo prazo até 2013", afirmou o analista de crédito da Standard & Poor''s, Nikola G. Swann, em um comunicado. O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu rapidamente uma nota afirmando que a avaliação da Standard & Poor''s "subestima a capacidade dos líderes norte-americanos de se unir para abordar os difíceis desafios fiscais que a nação enfrenta".

O índice Dow Jones caiu 140,24 pontos, ou 1,14%, para 12.201,59 pontos, com mínima verificada no dia de 12.093,89 pontos. O Nasdaq perdeu 29,27 pontos, ou 1,06%, para 2.735,38 pontos. O S&P 500 teve declínio de 14,54 pontos, ou 1,10%, para 1.305,14 pontos.

Sandy Lincoln, estrategista-chefe de investimentos da M&I Investment Management, disse que a revisão no rating dos EUA foi um "tiro de aviso" que poderia ajudar os mercados caso contribua para que os congressistas norte-americanos resolvam suas discordâncias em relação às dívidas do país. "(A revisão) quer dizer: por favor, deem um jeito de chegar a um ponto de vista consensual", acrescentou Lincoln.

Para Pete Sorrentino, gerente de carteiras de investimento do Huntington Real Strategies Fund, os investidores levaram o aviso da Standard & Poor''s a sério. Segundo ele, embora os problemas fiscais dos EUA sejam amplamente conhecidos, a mudança na perspectiva do rating levou o mercado a fazer comparações dos problemas norte-americanos com a situação de alguns países da Europa.

"Na Europa eles precisam reestruturar a dívida e nos EUA, com base na nossa trajetória, estamos caminhando na mesma direção", disse Sorrentino.

A perspectiva mais sombria para a dívida dos EUA ofuscou os resultados financeiros divulgados hoje. "A temporada de balanços está decente, mas não forte o suficiente para mover os mercados", disse Mark T. Lamkin, executivo-chefe da Lamkin Wealth Management.

Entre os destaques do dia, as ações do Citigroup fecharam estáveis depois de o banco divulgar um lucro maior do que o esperado no primeiro trimestre deste ano e um declínio nas perdas com crédito. A receita ficou abaixou das estimativas de analistas.

A Eli Lilly fechou em baixa de 1,08%, mesmo depois de anunciar um resultado financeiro mais forte do que o esperado por analistas. A Halliburton anunciou que seu lucro do primeiro trimestre mais do que dobrou em comparação a igual período do ano anterior e avançou 0,68%. As informações são da Dow Jones.

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