China Daily/Reuters
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China desvaloriza ainda mais o yuan e mercados asiáticos reagem mal

Medida para estimular economia chinesa afetou bolsas de valores e moedas na Ásia pelo segundo dia consecutivo

SÉRGIO CALDAS, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2015 | 06h16

(Atualização às 08h35)

A desvalorização do yuan pela China afetou os mercados asiáticos pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira, 12, com as bolsas fechando em forte baixa e moedas da região, como o ringgit malaio e o peso filipino, atingindo novas mínimas em vários anos.

O Xangai Composto, principal índice acionário chinês, recuou 1,1%, a 3.886,32 pontos, enquanto o Shenzhen Composto, de menor abrangência, caiu 1,5%, a 2.249,18 pontos, e o ChiNext, composto por empresas de pequeno valor de mercado, teve perda mais expressiva, de 2,8%, a 2.622,19 pontos.

Como havia anunciado no começo da semana, o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês) estabeleceu a taxa de paridade do yuan ante o dólar de hoje com base no fechamento da sessão anterior. Com isso, a taxa foi estipulada em 6,3306 yuans por dólar, 1,6% menor do que a de ontem. Em reação, a moeda chinesa chegou a se enfraquecer na mesma proporção, de 1,6%, durante a sessão de hoje e fechou a 6,3870 yuans por dólar. A divisa da China pode oscilar até 2% para cima ou para baixo em relação à taxa de referência.

Na noite de segunda-feira, o PBoC surpreendeu os mercados internacionais ao desvalorizar o yuan em 1,9%, fazendo o maior ajuste para baixo na moeda chinesa desde 1994. A iniciativa, que veio após dados fracos da balança comercial chinesa, alimentou preocupações de que a desaceleração econômica da China possa ser mais intensa do que se imaginava e causou turbulência nos mercados financeiros globais.

Na Ásia, as moedas locais voltaram a ter fortes perdas nesta quarta. A rupia indonésia e o ringgit da Malásia caíram 1,4% e 0,8% frente ao dólar, respectivamente, atingindo novas mínimas desde a crise financeira asiática do fim da década de 1990. O peso filipino, por sua vez, recuou 0,3%, tocando o menor patamar em cinco anos. Já o won sul-coreano se enfraqueceu 1%, a 1.189 wons por dólar, menor valor desde 2012.

Moedas da Oceania, como os dólares australiano e neozelandês, também foram pegas no turbilhão do yuan, se desvalorizando 0,5%, cada, frente ao dólar.

"A magnitude da queda do yuan ontem e hoje é enorme para a China e significativa" no contexto da história do mercado de câmbio da Ásia, comentou Jason Leinwand, diretor-gerente da Riverside Risk Advisors em Nova York. "A desvalorização (do yuan) é realmente conduzida pelo temor (do PBoC) de que o crescimento na China está muito fraco."

Novos indicadores da China, divulgados nesta quarta-feira, comprovam que a segunda maior economia do mundo se expande em ritmo mais lento. A produção industrial chinesa, por exemplo, subiu 6% em julho ante igual mês do ano passado, mostrando desaceleração em relação ao ganho de 6,8% verificado em junho. As vendas no varejo, por sua vez, cresceram 10,5% na comparação anual de julho, após avançarem 10,6% em junho.

Em outros mercados acionários da Ásia, o índice Hang Seng, de Hong Kong, encerrou o dia com queda de 2,38%, a 23.916,02 pontos, enquanto o Taiex, da Bolsa de Taiwan, caiu 1,3%, a 8.283,38 pontos, o menor patamar em 18 meses, e o sul-coreano Kospi, de Seul, recuou 0,56%, a 1.975,47 pontos.

A Bolsa de Tóquio fechou em baixa, com temores de que as empresas japonesas perderão competitividade e oportunidades de negócios. O Nikkei, índice que reúne as ações mais negociadas na capital do Japão, recuou 1,58%, a 20.392,77 pontos, ampliando a perda de 0,4% vista no pregão anterior.

Segundo Takashi Hiratsuka, do Resona Bank, as ações japonesas estão pressionadas porque um yuan mais fraco poderá dar às empresas chinesas vantagens competitivas e desacelerar o fluxo de turistas chineses para o Japão.

A bolsa australiana seguiu a trajetória das asiáticas. O índice S&P/ASX 200, das ações mais negociadas em Sydney, teve perda de 1,7%, a 5.382,10 pontos, terminando o pregão no menor patamar desde o fim de janeiro. O S&P/ASX 200 acumula agora perdas de 0,5% no ano e está 10% abaixo do pico registrado no final de abril. (Com informações da Dow Jones Newswires).

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