Bolsas em Nova York caem com preocupação com zona do euro

Redução do número de norte-americanos que pediram o seguro-desemprego nos Estados Unidos não atenuou temor de investidores  

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

17 de novembro de 2011 | 19h58

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam em queda diante de uma confluência de fatores negativos, entre eles a preocupação com a possibilidade de um agravamento da crise das dívidas soberanas da Europa e com os receios com a aparente falta de progresso nas negociações sobre cortes nos gastos do governo norte-americano.

O declínio das bolsas aconteceu mesmo depois de dados do governo dos EUA mostrarem que o número de norte-americanos que entraram com pedido de auxílio-desemprego na semana passada encolheu 5 mil em relação à semana anterior, atingindo o menor nível desde o início de abril. "Existe uma batalha constante dia após dia, para não dizer hora após hora, nos nossos mercados", afirmou Randy Frederick, diretor de negócios e derivativos da Charles Schwab. "As ações querem subir, mas cada vez que surge um sinal de otimismo doméstico, temos notícias ruins na Europa."

Mais cedo, o juro projetado pelos títulos soberanos da Espanha no mercado secundário subiu e atingiu o maior nível desde a introdução do euro, forçando o país a tomar empréstimos a um custo relativamente elevado e trazendo à tona receios com a possibilidade de uma piora na crise europeia.

A preocupação aumentou depois de a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Sandra Pianalto, afirmar que a Europa "pode estar rumando para uma recessão" e que isso poderia reduzir o crescimento da economia dos EUA em 0,5 ponto porcentual. "Não é preciso muita coisa para assustar esse mercado", disse Uri Landesman, presidente da Platinum Partners. "Há pouquíssima convicção em ambas as pontas do negócio."

O Dow Jones caiu 134,86 pontos, ou 1,13%, para 11.770,73 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 51,62 pontos, ou 1,96%, para 2.587,99 pontos. O S&P 500 fechou em baixa de 20,78 pontos, ou 1,68%, a 1.216,13 pontos.

Alguns analistas também citaram como motivo para a queda das bolsas a falta de uma proposta consolidada do supercomitê de déficit do Congresso para cortar os gastos públicos. Se o comitê, composto por congressistas da situação e da oposição, não chegar a um consenso até quarta-feira, passarão a vigorar cortes automáticos nas despesas.

Apesar disso, Alan Valdes, diretor da DME Securities para negócios no pregão, ressaltou que "não há volume e, quando isso acontece, os operadores podem mover o mercado na direção que quiserem."

No mercado de Treasuries, os preços subiram, com respectivo movimento inverso dos juros, acompanhando o movimento de aversão ao risco do mercado de ações. No final da tarde em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 2,988%, de 3,035% na quarta-feira; o juro das T-notes de 10 anos estava em 1,968%, de 2,015%; o juro das T-notes de 2 anos estava em 0,270%, de 0,262%. As informações são da Dow Jones.

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