Bolsas europeias acumulam perdas na semana e no mês

Também pesou a ausência de consenso entre congressistas dos EUA a respeito do aumento no teto da dívida

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

29 de julho de 2011 | 15h20

Os principais índices dos mercados de ações da Europa terminaram em baixa depois de dados mostrarem que a economia dos EUA cresceu menos do que o esperado no segundo trimestre. Também pesou sobre as bolsas a preocupação dos investidores com a ausência de um consenso entre os congressistas dos EUA a respeito do aumento no teto da dívida norte-americana. Outro fator negativo foi o anúncio da Moody''s de que colocou o rating de crédito da Espanha em observação para potencial rebaixamento.

O Departamento do Tesouro dos EUA já alertou que se não houver aumento no limite de endividamento do governo federal até terça-feira, dia 2 de agosto, o país perderá a capacidade para financiar seus gastos e correrá o risco de deixar de pagar encargos relacionados às suas dívidas. Ontem, a Câmara dos Representantes pretendia votar um projeto do partido republicano para elevar o teto da dívida, mas a votação acabou sendo cancelada. O plano, ainda que fosse aprovado, tinha poucas chances de passar pelo Senado, que possui maioria democrata.

Além disso, dados divulgados pelo Departamento de Comércio dos EUA mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 1,3% entre abril e junho, menos do que a alta de 1,8% esperada por analistas. O órgão também divulgou que a expansão da economia no primeiro trimestre, originalmente fixada em 1,9%, foi revisada para 0,4%.

"Com tantas coisas acontecendo e tantas variáveis para avaliar, é realmente difícil dizer que as ações são um bom lugar para colocar dinheiro, não importa o quanto as pessoas digam que elas estão baratas", disse Simon Denham, diretor da Capital Spreads.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 1,83 ponto, ou 0,69%, para 265,25 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 recuou 58,02 pontos, ou 0,99%, para 5.815,19 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 39,89 pontos, ou 1,07%, para 3.672,77 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em baixa de 31,29 pontos, ou 0,44%, a 7.158,77 pontos.

Em Milão, o índice FTSE MIB caiu 124,34 pontos, ou 0,67%, para 18.433,68 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, recuou 26,30 pontos, ou 0,27%, para 9.630,70 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 10,82 pontos, ou 0,16%, para 6.893,27 pontos. O ASE, da Bolsa de Atenas, perdeu 5,40 pontos, ou 0,45%, para 1.204,15 pontos.

Na semana, o ASE liderou as perdas, caindo 6,37%, seguido por FTSE MIB (-5,28%), CAC 40 (-4,42%), IBEX 35 (-4,26%), PSI 20 (-2,57%), Stoxx 600 (-2,49%), Xetra Dax (-2,29%) e FTSE 100 (-2,02%). No mês, o índice que acumulou mais perdas foi o FTSE MIB (-8,68%), seguido por CAC 40 (-7,77%), IBEX 35 (-7,04%), PSI 20 (-5,87%), ASE (-5,85%), Xetra DAX (-2,95%), Stoxx 600 (-2,79%) e FTSE 100 (-2,19%).

Na sessão de hoje, os bancos ficaram entre os destaques, com Crédit Agricole recuando 2,4% em Paris depois de ter anunciado ontem que as perdas em suas unidades na Grécia vão pesar nos resultados do segundo trimestre. Entre outros bancos franceses, o Société Générale caiu 2,4% e o BNP Paribas perdeu 2%.

A Schneider Electric fechou em baixa de 1,5% depois de anunciar resultados para o primeiro semestre que ficaram aquém das expectativas de analistas. A Michelin divulgou que o aumento nos custos com matérias-primas pode deixar o fluxo de caixa da companhia negativo. As ações da empresa recuaram 4,2%.

A Vodafone subiu 4% em Londres depois de a Verizon Wireless - sua joint venture com a Verizon Communications - divulgar que pagará às duas companhias um dividendo de aproximadamente US$ 10 bilhões. As informações são da Dow Jones.

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