Bolsas europeias avançam com esperança sobre Grécia

Mercados foram influenciados pela expectativa de que a Grécia evitará a reestruturação de sua dívida, com as ações dos bancos gregos registrando alta de 10%

Paula Moura, da Agência Estado ,

31 de maio de 2011 | 15h59

Os mercados de ações europeus fecharam em alta hoje, influenciados pela expectativa de que a Grécia evitará a reestruturação de sua dívida, com as ações dos bancos gregos registrando alta de 10%. As ações de empresas de petróleo, como as da francesa Total, ganharam com a alta da commodity nos mercados futuros, que foi sustentada pelo avanço do euro frente ao dólar. Entre as baixas, ações da Nokia Corp. recuaram quase 18%, uma das maiores quedas no índice Stoxx Europe 600, após um alerta de lucro.

O Wall Street Journal noticiou que a Alemanha pode abandonar um esforço anterior para reprogramar a dívida grega, o que permitiria uma nova ajuda da União Europeia (UE) à Grécia. O índice grego ASE Composite subiu 5,6% e fechou aos 1.309,46 pontos, com ações do Eurobank Ergasias e do Banco Nacional da Grécia em alta de cerca de 11%, e do Alpha Bank AE registrando ganho de 8,6%.

"A habilidade de a Grécia negociar com seus credores vai continuar a dar o tom na Europa", disse Stephen Pope, estrategista da Spotlight Ideas. "Naturalmente, qualquer sugestão de que as obrigações serão cumpridas, mesmo que mais tarde do que esperado, beneficiará as partes afetadas, ou seja, o euro e os bancos envolvidos". Mas Pope acrescentou não acreditar que esse "conserto rápido" será o último. "Teremos essa mesma conversa em maio de 2012, se não antes".

Os bancos alemães e franceses são os maiores detentores dos títulos gregos, inclusive com subsidiárias gregas do Credit Agricole SA e do Société Générale SA. As ações do Société Générale subiram 2,5% e as do Credit Agricole avançaram 1,8%.

Em Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em alta de 133,39 pontos (1,86%), aos 7.293,69 pontos. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, encerrou o pregão com ganho de 51,12 pontos (0,86%), aos 5.989,99 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 64,41 pontos (1,63%), aos 4.006,94 pontos.

A tendência foi contrariada pelo Banco da Irlanda, que caiu cerca de 28% em Dublin após a instituição de crédito anunciar que poderá impor perdas de até 90% aos detentores de dívida subordinada no programa de troca de dívida por dinheiro ou ações. O programa, para redução de sua dívida de 2,6 bilhões de euros, faz parte da exigência do governo da Irlanda para que o banco levante 5,2 bilhões de euros em capital.

Na Alemanha, as ações do Deutsche Bank AG subiram 2%. Os lucros das fabricantes de produtos químicos também impulsionaram o índice Xetra-DAX.

As ações da BASF SE subiram 3,8% e da K+S AG ganharam 2,7%. As ações da Arkema SA registraram alta de 4,2% e as da Linde AG subiram 1,8%.

Na Espanha, o IBEX-35 subiu 218,40 pontos (2,13%), aos 10.476,00 pontos, puxado por uma alta de 4% das ações do Banco Santander SA e de 3,2% das ações do BBVA SA.

No segmento de petróleo, os papéis da Total SA e da Royal Dutch Shell PLC subiram 1,5% e 2,7% respectivamente, enquanto a BP PLC avançou 1,9%.

Entre as montadoras, as ações da Volkswagen AG caíram 0,3%, após o grupo fazer uma proposta formal para a compra da fabricante de caminhões MAN SE. Em Paris, as ações da Renault SA fecharam em alta de 1,6%. Ontem, a montadora nomeou Carlos Tavares como diretor operacional. As ações da Peugeot SA subiram 1,1%.

Ao lado dos lucros de gigantes como a BP e a Shell, a Standard Chartered PLC fechou em alta de 1,4%. A empresa subiu de nível para "comprar" de "neutro" na Nomura, que afirmou que o banco focado em mercados emergentes está bem posicionado para crescimento no longo prazo.

As ações da britânica Wolseley PLC, fornecedora de encanamentos, subiram 3,4% com a notícia de que o grupo vai vender três unidades: Build Center, Electrics Center e Encon.

As ações da Nokia, que haviam se destacado positivamente ontem, cederam. O grupo finlandês reduziu sua estimativa de resultado para o segundo trimestre em sua divisão de Devices & Services, citando "múltiplos fatores que impactaram negativamente" o negócio. A empresa disse esperar que suas vendas líquidas no segundo trimestre fiquem bem abaixo dos previstos 6,1 bilhões de euros a 6,6 bilhões de euros, citando o preço médio e volume de venda de aparelhos móveis menores do que os projetados. A empresa declarou que sua margem de lucro para o segmento Devices & Services ficará abaixo dos 6% a 9% que eram esperados. As informações são da Dow Jones.

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