Bolsas europeias caem após anúncio da S&P sobre EUA

As principais bolsas europeias fecharam o dia em forte queda, pressionadas pelo fato de a agência Standard & Poor''s (S&P) ter rebaixado a perspectiva do rating (classificação de risco) dos Estados Unidos. Segundo o analista de crédito da S&P, Nikola Swann, a decisão da agência "sinaliza que nós acreditamos que há ao menos uma chance em três de que nós possamos rebaixar o rating de longo prazo dos EUA dentro de dois anos".

GUSTAVO NICOLETTA, Agencia Estado

20 de abril de 2011 | 14h40

Stephen Pope, sócio-gerente da Spotlight Ideas, afirmou que "se as agências de classificação de risco estão rebaixando Grécia, Portugal e Espanha, provavelmente têm a obrigação de analisar os EUA, onde o presidente Barack Obama fez declarações até agora vazias sobre redução da dívida. As pessoas estão começando a questionar se existe disposição" para a adoção de medidas nesse sentido, acrescentou.

O índice pan-europeu Dow Jones Stoxx 600 fechou em queda de 1,70%, aos 273,05 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE 100 caiu 2,10%, para 5.870,08 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 2,35%, para 3.881,24 pontos. O Xetra DAX, da Bolsa de Frankfurt, teve queda de 2,11%, para 7.026,85 pontos. Na Bolsa de Milão, o índice FTSE MIB cedeu 2,92%, para 21.184,67 pontos, e em Madri o IBEX 35 fechou em baixa de 2,02%, aos 10.344,90 pontos. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 caiu 2,35%, para 7.546,25 pontos.

As instituições financeiras registraram as perdas mais acentuadas da sessão, pressionadas por rumores de que a Grécia teria pedido ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à União Europeia para que fossem iniciadas negociações de reestruturação da dívida do país.

"Depois de um período de relativa tranquilidade, incluindo a fase posterior à solicitação de auxílio financeiro por Portugal, quando os prêmios de risco diminuíram, a notícia de que a Grécia está enfrentando dificuldades novamente e a possibilidade de os investidores sofrerem perdas renovaram as tensões", disse Soledad Pellon, estrategista de mercado do IG Markets em Madri. "Quando surge a incerteza ao redor das pequenas economias da Europa, as vendas são retomadas, especialmente de ações de bancos", acrescentou.

Em Paris, as ações da AXA recuaram 5,7%, acompanhadas por recuos nos papéis de Credit Agricole (baixa de 4,8%) e Société Générale (queda de 3,9%). Em Frankfurt, o Commerzbank recuou 5,1%, enquanto o Deutsche Bank teve queda de 2,6%. A Allianz fechou em baixa de 4,8%. Na Bolsa de Londres, recuaram Barclays (queda de 3,6%) e Royal Bank of Scotland (baixa de 2%).

No setor de energia, a Total fechou em baixa de 2,4%, depois de a recomendação de suas ações ter sido rebaixada pelo Credit Suisse. Entre as empresas de tecnologia, a Infineon Technologies subiu 1,6%, após anunciar que seu desempenho financeiro no segundo trimestre será mais forte que o esperado.

Entre as siderúrgicas, ThyssenKrupp recuou 3,9%, após o Goldman Sachs reduzir a recomendação das ações da companhia. O banco também rebaixou a recomendação da Salzgitter e os papéis da companhia fecharam em baixa de 5,1%. As ações da Nestlé caíram quase 1%, depois de a empresa anunciar que vai comprar uma fatia de 60% da chinesa Yinlu Foods Group. A Nestlé não revelou quanto pagará pela participação. As informações são da Dow Jones.

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