Bolsas europeias caem em meio a preocupações com Ucrânia

Outro fator de atenção para os mercados foi a China, que volta a emitir sinais de desaceleração 

Lucas Hirata, da Agência Estado,

15 de abril de 2014 | 13h37

Os mercados de ações da Europa fecharam em baixa nesta terça-feira, 15, em meio a preocupações com a crise geopolítica na Ucrânia. Outro fator de preocupação foi a China, que volta a emitir sinais de desaceleração. O índice pan-europeu Stoxx 60 terminou o pregão com queda de 0,97%, a 326,58 pontos.

O governo da Ucrânia iniciou hoje uma operação "antiterrorista" contra militantes pró-Rússia que ocuparam prédios federais e fizeram manifestações separatistas no leste do país. A medida foi tomada pelas autoridades como forma de evitar o ocorrido na região da Crimeia, que foi anexada por Moscou após um polêmico referendo com a população.

Além da questão geopolítica, as preocupações sobre o país também rondam a economia. Ontem, em um movimento inesperado, o Banco Central da Ucrânia anunciou o aumento da taxa básica de juros, de 6,5%, para 9,5%, a primeira ação deste tipo em oito meses.

Chama a atenção também o esforço do governo em tentar atrair mais recursos para o financiamento de curto prazo para os bancos. A taxa overnight - usada em transações interbancárias - quase dobrou e passou de 7,5% para 14,5%. Ainda que a oferta de juros maiores normalmente agrade investidores, o movimento de Kiev revela uma tentativa de evitar a saída de mais recursos do país. A fuga de recursos de estrangeiros e ucranianos tem desvalorizado a moeda nacional, a grívnia.

A crise na Ucrânia já afetou a confiança na economia europeia. O índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha, por exemplo, caiu de 46,6 em março para 43,2 em abril, conforme dados conhecidos esta manhã. O dado ficou abaixo da previsão dos analistas, que esperavam leitura de 45. Um dos fatores que explica a piora é "provavelmente o conflito na Ucrânia", disse a pesquisa, ao comentar que a situação do país gera incerteza no ambiente de negócios.

Ainda no noticiário europeu, a inflação no Reino Unido desacelerou e o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 1,6% no acumulado em 12 meses até março. Até fevereiro, a taxa anual de inflação estava em 1,7%. O dado veio em linha com o esperado pelos analistas e mostra o mais baixo patamar da inflação desde outubro de 2009.

Para os analistas da consultoria Capital Economics, a desaceleração dos preços no Reino Unido deve continuar com a expectativa de estabilização dos preços das commodities, queda dos importados e aumento da produtividade. Nesse cenário, a consultoria prevê que a inflação ao varejo desacelere para perto de 1% até o fim do ano. "Isso proporciona bases mais sólidas para a recuperação dos gastos do consumidor e permitirá que o Comitê de Política Monetária (do Banco da Inglaterra - BoE) mantenha a taxa básica em 0,5% até o fim de 2015", dizem os analistas da casa.

Na China, outro motivo de preocupação veio com novo sinal de desaceleração da atividade. Em março, o indicador mais amplo sobre o volume de dinheiro em circulação na economia, o M2, subiu 12,1% na comparação com um ano antes. O aumento é menor que os 13,3% observados em fevereiro e abaixo da previsão do mercado de expansão de 13% desse dado da base monetária. A circulação de menos recursos na economia reforça a análise de que a segunda maior economia do mundo está em desaceleração. Hoje à noite, serão conhecidos os números do Produto Interno Bruto (PIB) e da produção industrial chinesa, o que também causou apreensão entre os participantes do mercado.

A cautela com a China levou a fortes baixas em mineradoras de Londres. As ações da BHP Billiton cederam 2,01% e as da Rio Tinto caíram 3,10%, levando a uma queda de 0,64%, aos 6541,61 pontos, no índice FTSE. Além disso, o índice PSI20, da Bolsa de Lisboa, caiu 1,68%, para 7188,30 pontos, e o índice IBEX35, de Madri, perdeu 0,83%, para 10103,50 pontos.

Neste cenário de aversão ao risco nos mercados internacionais, o índice CAC-40, da Bolsa de Paris, cedeu 0,89%, para 4345,35 pontos. Entre os piores resultados franceses, as ações do Société Générale terminou em queda de 2,4% e as da Renault recuaram 1,8%. Em Frankfurt, o índice Dax teve queda de 1,77%, aos 9173,71 pontos, com baixa de 3,6% e 3,4% nos papéis da Commerzbank e Daimler, respectivamente.

O índice FTSE Mib, de Milão, fechou em baixa de 2,33%, aos 20817,49 pontos, marcando o pior resultado entre seus pares europeus. A maior queda foi do Banca Monte dei Paschi di Siena, cujas ações cederam 10,4% depois que a instituição afirmou que a gestão pode procurar captar 5 bilhões de euros em uma elevação de capital, em vez de 3 bilhões de euros como planejado anteriormente. As ações do MPS foram suspensas várias vezes durante o dia e o regulador do mercado acionário local proibiu venda a descoberto até quarta-feira à noite.

Entre outros perdedores, a Mediaset terminou em queda de 6,1% no mesmo dia que o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi foi condenado a prestar serviços comunitários, como resultado de uma investigação de fraude fiscal ligada à Mediaset.

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