Bolsas europeias caem puxadas por Alemanha

As Bolsas europeias fecharam o dia em queda generalizada, no momento em que um esforço isolado da Alemanha, para proibir alguns tipos de operações, alimenta os temores sobre o futuro da zona do euro (grupo que reúne os 16 países que adotam o euro como moeda). O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 2,98%, o terceiro declínio em quatro sessões.

RICARDO GOZZI, Agencia Estado

19 de maio de 2010 | 14h21

Todos os principais índices de ações da Europa fecharam em queda próxima de 3%. O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, caiu 2,92%, para 3.511,67 pontos. Em Londres, o FTSE-100 recuou 2,81%, para 5.158,08 pontos. Já o índice Dax, da Bolsa de Frankfurt, teve queda de 2,72%, para 5.988,67 pontos. O índice IDX, da Bolsa de Madri, caiu 2,61%, para 9.376,50 pontos.

A proibição de posições vendidas a descoberto, anunciada pela Alemanha, diminuiria o apetite por risco dos investidores, uma vez que as atividades de hedge (proteção) não serão mais possíveis, observou Gerhard Schwarz, diretor de estratégia global de ações do Unicredit. "Serão cobrados prêmios por risco mais elevados, o que significa preços mais baixos", prosseguiu.

As ações vinham esboçando algum avanço na Europa depois do anúncio, na semana passada, de um pacote de 750 bilhões de euros para as economias mais vulneráveis da zona do euro. Mas a decisão tomada ontem à noite pelo BaFin, órgão regulador financeiro da Alemanha, de proibir uma série de práticas de mercado, entre elas as posições vendidas a descoberto, fez os investidores vacilarem na sessão de hoje.

Entre as ações sobre as quais vigora a proibição alemã, os papéis do Deutsche Bank caíram 2,89% e as ações da Allianz sofreram queda de 3,25%. Os investidores com posições vendidas a descoberto nas companhias afetadas pela decisão terão de comprar as ações para concluir o negócio.

A proibição não ajudou o setor financeiro em geral. Na França, os papéis do Société Générale fecharam em queda de 4,23%. Os do Credit Agricole caíram 3,60%. Na Espanha, as ações do BBVA, que tiveram recomendação rebaixada pelo JPMorgan, recuaram 3,65%.

Schwarz acredita que a decisão alemã acarreta uma série de implicações específicas para a Europa por não se tratar de uma postura integrada. "Há um risco de credibilidade para o projeto da zona do euro que não será diminuído colocando dinheiro na mesa ou tentando punir os especuladores", acredita Schwarz. "Eles (os europeus) precisam demonstrar unidade, precisam passar confiança, apresentar medidas amplas e enviar mensagens claras", argumentou.

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