Bolsas europeias fecham em queda com aversão ao risco

Nervosismo tomou conta do mercado em mais um pregão, com fuga para ativos mais seguros

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 14h20

Os mercados de ações da Europa voltaram a fechar em queda generalizada em um dia no qual os investidores continuaram desfazendo-se de ativos de risco mais elevado em meio a temores de divisões na Europa sobre como lidar com a crise da dívida soberana na zona do euro.

Depois de ter chegado a alcançar 246,16 pontos no início da sessão, o índice pan-europeu Stoxx 600 virou e fechou em queda de 2,23%, a 238,28 pontos.

"Qualquer pequena alta está sendo vendida na sequência. Isto só demonstra o quanto o mercado está nervoso", comentou Philippe Gijsels, diretor de estratégia do BNP Paribas Fortis Global Markets.

Grande parte do atual nervosismo nos mercados é alimentada pelos temores dos investidores quanto à possibilidade de default em países da periferia da zona do euro.

A decisão tomada pela Alemanha de, isoladamente, proibir algumas modalidades de posições vendidas a descoberto não ajudou a convencer os investidores que os líderes europeus estariam enfrentando de forma unida os problemas de endividamento do bloco.

Entre os principais índices de ações do Velho Continente, o Dax, da bolsa de Frankfurt, caiu 120,79 pontos, ou 2,02%, encerrando o pregão em 5.867,88 pontos; o índice FTSE-100, da bolsa de Londres, recuou 84,95 pontos, ou 1,65%, fechando em 5.073,13 pontos; em Paris, o índice CAC-40 perdeu 79,15 pontos, ou 2,25%, terminando a sessão em 3.432,52 pontos.

"Acho que o mercado está começando a olhar para um crescimento um pouco menor mais adiante, especialmente na Europa. Tem muito dinheiro indo para os bônus no momento", opinou Stephen Taylor, estrategista da Dolmen Stockbrokers.

A busca por portos seguros reduziu os yields dos bônus de dez anos do governo alemão e dos títulos britânicos. Com a queda dos yields dos bônus alemães, os contratos futuros de commodities caíram.

"É a aversão ao risco. Tudo o que parece arriscado está sendo vendido", avaliou Gijsels.

A queda nos futuros das commodities atingiu o setor de mineração. As ações da BHP Billiton recuaram 3,25%; as da Randgold Resources perderam 1,66%.

"A situação não parece boa para as mineradoras no curto prazo", observaram estrategistas do Merrill Lynch ao reduzirem de compra para neutro a recomendação para os papéis da Xstrata e da Rio Tinto e de compra para underperform a recomendação para as ações da Vedanta Resources e da Kazakhmys.

No mercado londrino, as ações da Xstrata caíram 4,34%, as da Rio Tinto depreciaram-se 5,78%, as da Vedanta perderam 3,73% e as da Kazakhmys recuaram 4,31%.

"A apreensão do mercado com uma desaceleração da demanda chinesa por metais tem exacerbado as preocupações com a possibilidade de disseminação da crise da dívida soberana pela periferia da zona do euro", prosseguem os analistas do Merrill Lynch.

Até mesmo o ouro, normalmente considerado um porto seguro pelos investidores em momentos de turbulência em outros mercados, oscilava, alternando altos e baixos na sessão de hoje.

"É possível que a elevação do ouro esteja parando também, e isto condiz com a tese de um mundo deflacionário", analisou Gijsels. As informações são da Dow Jones.

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