Bolsas europeias fecham em queda com rebaixamento da Espanha

Anúncio de corte da S&P foi feito nos minutos finais do pregão, acentuando as vendas

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

28 de abril de 2010 | 14h46

As bolsas de valores europeias voltaram a fechar em queda, com as perdas acentuando-se nos minutos finais da sessão, quando veio à tona a notícia de que a agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor's havia cortado o rating da Espanha para AA, com perspectiva negativa. O rebaixamento da Espanha, ocorrido apenas um dia depois de a S&P ter cortado os ratings de Grécia e Portugal, repercutiu em mercados já atormentados com a persistência da crise grega.

 

Em Madri, o índice Ibex-35 recuou 2,99%, fechando em 10.167,00 pontos, com as ações do BBVA perdendo 5% de seu valor após a divulgação do balanço do banco.

 

O corte do rating da Espanha piorou o desempenho das ações na Europa em um dia no qual o mercado já vinha sendo afetado por comentários de um parlamentar alemão segundo o qual a ajuda financeira à Grécia poderia chegar à casa dos € 120 bilhões em três anos.

 

A Grécia negocia com a União Europeia (UE) e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um pacote de resgate de € 45 bilhões, mas a ajuda ainda não se concretizou.

 

"A situação está um pouco bagunçada agora, enquanto eles decidem (a ajuda à Grécia). O que o mercado mais odeia é incerteza", comentou Oliver Russa, gerente de carteira da Argonaut Asset Management. "Quanto mais eles demoram, mais nervoso o mercado fica."

 

Apesar disso, um dos poucos índices de ações a ter subido hoje na Europa foi o ASE, da Bolsa de Atenas, que fechou em alta de 0,6%, avançando a 1.707,35 pontos, uma vez que a comissão local de valores mobiliários proibiu o mercado de efetuar vendas a descoberto. As ações do Banco Nacional da Grécia subiram 2%.

 

No geral, o setor financeiro europeu, que detém grande volume de títulos soberanos de dívida, apresentou quedas acentuadas, com o Fortis recuando 7,4% em Bruxelas e o ING caindo 3,9% em Amsterdã.

 

"Se houver um default de bônus, haverá real impacto sobre os ganhos", observou Russ. "Há oportunidades à vista, mas elas exigem muita fé", prosseguiu.

 

Depois de ter caído 3,1% na sessão de ontem, o índice pan-europeu perdeu mais 1,1% hoje, fechando em 258,82 pontos.

 

As principais bolsas de valores do Velho Continente também fecharam em queda. O índice CAC-40, de Paris, caiu 57,60 pontos, ou 1,50%, fechando em 3.787,00 pontos; em Frankfurt, o índice Dax recuou 75,17 pontos, ou 1,22%, terminando a sessão em 6.084,34 pontos; o índice FTSE-200, da bolsa de valores de Londres, perdeu 16,91 pontos, ou 0,30%, encerrando o pregão em 5.586,61 pontos.

 

Enquanto isso, algumas companhias conseguiram faturar em cima de bons resultados financeiros. As ações da petrolífera Royal Dutch Shell subiram 2,3% depois do anúncio de que o lucro da companhia subiu 57%, para US$ 5,48 bilhões. Os papéis da farmacêutica GlaxoSmithKline avançaram 0,2%. As informações são da Dow Jones.

 

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