Bolsas europeias fecham em queda com tensão na Líbia

Na Bolsa de Milão, entre as companhias com maior exposição à Líbia estavam a gigante do setor de energia ENI e o banco UniCredit

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

21 de fevereiro de 2011 | 15h52

As bolsas europeias fecharam em forte queda hoje, em meio ao nervosismo dos investidores com o aumento da tensão no norte da África e no Oriente Médio. A bolsa italiana, com maior exposição à Líbia, onde a violência aumentou, esteve entre as que mais ressentiram-se da instabilidade na região. A aversão ao risco provocou a venda especialmente dos papéis de bancos, e a forte alta dos preço do petróleo puxou papéis do setor para baixo.

No fim de semana, ocorreram pela primeira vez protestos pró-democracia no Marrocos, onde cinco pessoas morreram. Na Líbia, onde as forças de segurança foram orientadas a restaurar a ordem, confrontos violentos com manifestantes já deixaram pelo menos 233 pessoas mortas, segundo a Human Rights Watch, citando informações obtidas nos hospitais. No Iêmen, o presidente Ali Abdullah Saleh disse que não deixará o governo e que as manifestações contra seu regime são atos inaceitáveis de provocação.

Na Bolsa de Milão, entre as companhias com maior exposição à Líbia estavam a gigante do setor de energia ENI (-5,1%) e o banco UniCredit (-5,75%). O fundo soberano da Líbia e o banco central do país são os maiores acionistas do UniCredit. O índice FTSE MIB fechou em queda de 828,83 pontos (-3,59%), aos 22.230,20 pontos.

Em Londres, o índice FT-100 fechou em baixa de 68,19 pontos (1,12%), aos 6.014,80 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX encerrou com queda de 105 pontos (-1,41%), aos 7.321,81 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 fechou com retração de 59,73 pontos (1,44%), aos 4.097,41 pontos.

A turbulência na Líbia também provocou a alta do petróleo, com preocupações de que ocorram problemas no fornecimento. A Líbia tem a maior reserva comprovada de petróleo na África. O petróleo brent, negociado no mercado futuro ICE, disparou mais de 3%.

"O que ocorre no Oriente Médio e no norte da África será o fator de maior peso nos mercados nos próximos dias", disse o estrategista do Commerzbank Peter Dixon. "O temor, do ponto de vista do investidor, é sobre o potencial de (as manifestações) se espalharem", acrescentou. O estrategista aponta ainda para o efeito dos protestos sobre os preços do petróleo, uma vez que as economias dos países envolvidos são subdesenvolvidas, com pouca dívida, portanto, trazem pouco risco aos sistemas financeiros ocidentais.

As ações da companhia de petróleo austríaca OMV caíram 4% em Viena. A companhia, que opera na Líbia desde 1985, retirou todo sua equipe não essencial do país. As ações do grupo de fertilizantes Yara Internacional recuaram mais de 4% em Oslo. Recentemente, a empresa criou uma joint venture no país com a National Oil Corp.

Já a petroleira britânica BP anunciou a suspensão dos preparativos para perfuração de poços no deserto da Líbia, enquanto empreiteiros se retiram da região em razão da crise política que afeta o país. A norueguesa Statoil, por sua vez, anunciou o fechamento de seu escritório no país e a retirada de funcionários.

Entre outras notícias que movimentaram as bolsas europeias hoje, estiveram o anúncio da compra da empresa de bebidas turca Mey Icki pela britânica Diageo, por 3,3 bilhões de liras turcas (US$ 2,09 bilhões). A aquisição dará a Diageo liderança no mercado de raki, bebida mais consumida na Turquia, assim como de vodca. As ações da Diageo fecharam estáveis na Bolsa de Londres.

No setor de petróleo, a Royal Dutch Shell fechou acordo para a venda de uma participação majoritária na maior parte de seus negócios de refino, venda e distribuição na África para a Vitol Holdings e para a Helios Investment Partners, por cerca de US$ 1 bilhão. A venda faz parte da estratégia da Shell de sair de negócios não principais. As ações da companhia fecharam em queda de 0,7%. Já a BP anunciou que irá pagar US$ 7,1 bilhões por uma participação de 30% nos blocos de petróleo e gás natural operados pela Reliance Industries na Índia. As informações são da Dow Jones.

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