Bolsas européias fecham em queda, exceto Portugal

Os principais índices das bolsas européias encerraram a quarta-feira em queda, exceto o de Portugal, que registrou leve alta. Esse movimento na Europa ocorreu apesar da estabilização das bolsas dos EUA. Por volta de 15h40, o índice Dow Jones operava em +0,05%. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 91,6 pontos (1,61%), em 5.587,1 pontos, nível mais baixo desde 20 de dezembro de 2005. O comportamento do mercado foi determinado pelo desempenho das ações dos setores de energia e mineração, que caíram em reação às baixas dos preços das commodities. As ações do setor industrial também caíram. "Não parecem haver notícias negativas sobre empresas que justifiquem essa queda. As pessoas a estão atribuindo a razões macroeconômicas, mas acho que se trata de um daqueles eventos de mercado que acabam sendo exacerbados por operações subseqüentes com derivativos", comentou o analista Stuart Fowler, da AXA Investment Management. Fowler também observou que muitos investidores estão preferindo ficar fora do mercado até que a volatilidade se reduza. "Quanto mais volátil o mercado, a confiança é minada. Enquanto houver incerteza quanto ao que está determinando os preços, as pessoas vão continuar cautelosas", disse. Entre os destaques negativos do pregão estavam Anglo American (-3,08%), Antofagasta (-3,72%), BHP Billiton (-3,60%), Kazakhmys (-5,73%), Xstrata (-2,94%), BP (-2,36%) e Shell (-2,04%). No setor de telecomunicações, as ações da Vodafone caíram 2,36%, refletindo previsões de que não será fácil para a empresa vender sua participação na norte-americana Verizon. No setor elétrico, as ações da Scottish Power subiram 1,93%, em reação a seu informe de resultados. As ações da Kingfisher, do setor de comércio varejista, caíram 2,05%, depois da divulgação de seu balanço. Barclays, London Stock Exchange e Cable & Wireless divulgam resultados nesta quinta-feira. Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 encerrou com perda de 61,51 pontos (1,25%), em 4.870,02 pontos. O mercado ignorou a estabilização das Bolsas dos EUA e os investidores preferiram reduzir posições antes do feriado desta quinta-feira (a Bolsa vai operar, mas muitos participantes vão "emendar" até a próxima segunda-feira). Entre as ações que mais caíram estavam Total (-2,26%), Louis Vuitton-Moët-Hennessy (-3,68%) e Accor (-2,49%). As ações da Peugeot-Citroën subiram 0,50%, depois de a empresa reafirmar sua meta de lucros para o ano; as da Renault avançaram 0,74%. As ações da Euronext caíram 4,3%, devolvendo os ganhos de ontem. Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX teve baixa de 91,26 pontos (1,61%), em 5.587,23 pontos. Um operador disse que os investidores estão liquidando posições em ações e passando para o mercado de futuros. "O principal fator a orientar os movimentos de preço está sendo a aversão ao risco", disse. Ele observou que essa é a razão pela qual os indicadores macroeconômicos não estão tendo influência no mercado, exceto os relacionados a juros. As ações da Allianz caíram 2,61%, com o setor de seguros entre os mais afetados pela debilidade do mercado. As da Deutz caíram 2,22%, em reação a seu informe de resultados. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib caiu 234 pontos (0,65%), para 35.672 pontos. De acordo com um operador, os investidores temem que os mercados de ações dos EUA e da Europa continuarão a cair pelas próximas semanas. As ações do setor de energia estavam entre as que mais caíram (ENI -1,17%, Saipem -2,00%). Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 terminou o dia com recuo de 113,50 pontos (1,02%), em 11.047,20 pontos. Entre as ações que mais caíram estavam as de empresas com maior exposição a mercados emergentes, como BBVA (-1,55%) e BSCH (-1,34%). As da Gamesa caíram 3,74%, depois de o BBVA, um de seus principais acionistas, dizer que não pretende vender sua participação. As da Repsol subiram 0,52%, depois de elevação de recomendação pela Morgan Stanley. Na Bolsa de Lisboa, a única exceção entre as principais bolsas européias, o índice PSI-20 terminou o dia com alta de 22,91 pontos (0,24%), em 9.392,37 pontos. As ações do banco Comercial Português subiram 4,57%, depois de a autoridade reguladora da concorrência em Portugal dizer que o setor já está concentrado demais; isso foi interpretado como sinal de que a compra do Banco BPI pelo BCP não será aprovada. As ações da Energias de Portugal, que divulga resultados nesta quinta-feira, caíram 0,35%. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

24 de maio de 2006 | 15h43

Tudo o que sabemos sobre:
finanças

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.