Bolsas europeias fecham sem direção única

Preocupação com a possível desaceleração na economia da China e a crise na Ucrânia influenciaram os mercados, mas houve ganhos sustentados por indicadores positivos de países da região 

Lucas Hirata, da Agência Estado, com informações da Dow Jones,

10 de março de 2014 | 14h17

Os mercados de ações da Europa fecharam em direções divergentes nesta segunda-feira, 10, em meio a preocupações sobre uma possível desaceleração na economia da China e sobre as tensões na crise geopolítica na Ucrânia. Por outro lado, os ganhos em algumas das bolsas foram sustentados por indicadores positivos de países da região. O índice Stoxx Europe 600 caiu 0,54% e fechou aos 331,27 pontos.

A semana começou com alguns números positivos na Europa. Em janeiro, a produção industrial da Itália registrou crescimento de 1% na comparação com dezembro de 2013. O ritmo é mais que o dobro do esperado pelos analistas, que previam expansão na atividade manufatureira de 0,4%. Na comparação com janeiro de 2013, o ritmo das fábricas foi 1,4% maior, também acima das estimativas do mercado, que falava em uma alta de 1,1%.

Demais países da região, porém, trouxeram dados não tão otimistas. Na França, foi registrada a segunda contração seguida da atividade industrial e a produção caiu 0,2% em janeiro na comparação com dezembro de 2013. Analistas apostavam em estabilidade do indicador. Na Espanha, após a recuperação recente, a atividade estacionou no início do ano e janeiro registrou produção estável na comparação com dezembro do ano passado.

O índice CAC 40, de Paris, fechou em alta de 0,10%, aos 4370,84 pontos. Em Milão, o índice FTSE-Mib encerrou com ganho de 0,58%, aos 20753,36 pontos. Em Madri, o índice IBEX-35 avançou 0,30%, aos 10194,60 pontos. Já em Portugal, o índice PSI20, de Lisboa, subiu 1,24%, para 7567,99 pontos.

Em reação aos dados, as bolsas europeias passaram grande parte da manhã em alta, mas uma parcela dos ganhos foi revertida após a abertura em queda dos mercados de ações em Nova York. O sentimento negativo em Wall Street foi influenciado por indicadores comerciais da China e pelas tensões na Ucrânia.

Segundo dados divulgados no fim de semana, a China registrou saldo comercial negativo de US$ 22,98 bilhões em fevereiro. Analistas previam saldo positivo de US$ 11,9 bilhões. A principal razão da piora dos números foram as exportações, que caíram 18,1% na comparação com igual mês do ano anterior. Economistas apostavam em expansão de 5% nas exportações.

Os números ruins da balança comercial chinesa pressionaram preços de commodities nesta segunda-feira. Entre os itens mais pressionados, estão o minério de ferro e o aço. Com isso, ações de mineradoras e siderúrgicas sofrem na Ásia e Europa no início desta semana.

Alguns analistas, porém, afirmaram que o resultado aquém do esperado das exportações chinesas seria explicado por fatores meramente sazonais. A principal razão seria o Ano Novo Chinês, que foi comemorado entre os dias 30 de janeiro e 6 de fevereiro. O feriado prolongado teria antecipado grande volume de exportações para janeiro - o que explica o bom resultado do primeiro mês do ano e o saldo ruim em fevereiro. Analistas, porém, não explicam porque esse fenômeno também não foi visto nas importações.

Em Londres, o índice FTSE fechou em baixa de 0,35%, aos 6689,45 pontos. O índice DAX, de Frankfurt, cedeu 0,91%, aos 9265,50 pontos.

Além disso, outro ponto de cautela veio da Ucrânia. No fim de semana, a Casa Branca começou a enviar caças e soldados para a vizinha Polônia, ao mesmo tempo em que Kiev sinalizou que pretende assinar um acordo com a União Europeia (UE), mostrando que pode se distanciar da Rússia e se aproximar do Ocidente. Já o primeiro-ministro interino ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, anunciou que vai viajar aos EUA nesta semana para discutir a crise na Crimeia com o presidente Barack Obama.

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