Bolsas europeias recuam após anúncio de teste do BCE

 Banco Central anunciou que fará testes de estresse com os bancos da região a partir de novembro

23 de outubro de 2013 | 15h01

As bolsas europeias fecharam em queda generalizada nesta quarta-feira, 23, num movimento de realização de lucros que se seguiu à alta alimentada na terça-feira, 22, por expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manterá sua política de estímulos por mais tempo do que se esperava. Pesaram hoje nos negócios da Europa balanços corporativos decepcionantes e o anúncio de que o Banco Central Europeu (BCE) fará testes de estresse com os bancos da região a partir de novembro. Interrompendo uma sequência de nove altas consecutivas, o índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 0,62%, para 318,99 pontos.

As ações do setor financeiro reagiram em baixa à notícia de que o BCE fará a partir do mês que vem uma ampla análise dos balanços patrimoniais de 130 instituições financeiras da zona do euro para tentar descobrir potenciais riscos antes da implementação de uma união bancária na região. Como parte da avaliação, o BCE pedirá aos bancos que separem 8% do capital ajustado pelo risco como proteção contra prejuízos com empréstimos e outros itens de seus balanços.

Na área corporativa, desagradaram os balanços da cervejaria holandesa Heineken, cujo lucro caiu 15% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado, e da fabricante de semicondutores franco-italiana STMicroelectronics, que teve prejuízo menor na mesma comparação, mas queda de 5,4% nas vendas. A Heineken encerrou o dia com perda de 4,45% em Amsterdã e a STMicroelectronics sofreu um tombo de quase 9% em Paris.

Na agenda de indicadores macroeconômicos, ficou em segundo plano o fato de o índice de confiança do consumidor da zona do euro ter subido para -14,5 em outubro, de uma leitura de -14,9 em setembro, permanecendo no nível mais alto desde julho de 2011 pelo segundo mês consecutivo, de acordo com dados preliminares da Comissão Europeia.

Em Londres, o índice FTSE 100, que também vinha acumulando ganhos por nove pregões seguidos, recuou 0,32%, a 6.674,48 pontos. A multinacional farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, que divulgou forte queda nas vendas da China, encerrou a sessão em baixa de 1,91%.

No mercado francês, o CAC-40, que reúne as ações mais negociadas em Paris, cedeu 0,81%, a 4.260,66 pontos. Além da STMicroelectronics, o outro destaque de baixa foi a Orange (-5,4%), também influenciada por seu balanço trimestral. Já a Peugeot subiu 3,3% após reafirmar suas projeções para o ano. A montadora também reduziu sua previsão de contração do mercado automotivo europeu este ano, de 5% para 4%.

O pior desempenho do dia foi da Bolsa de Milão, com recuo de 2,38% no índice FTSE Mib, a 18.910,68 pontos. Com o anúncio do BCE, o Banca Monte dei Paschi di Siena cedeu 6,5% e o Banca Popolare dell''Emilia Romagna, 6%.

O setor bancário também foi responsável pela pronunciada queda do Ibex 35, de Madri. O índice espanhol perdeu 1,84%, a 9.828,30 pontos. Bankinter, Sabadell e BBVA caíram 4,6%, 4,1% e 3,7%, respectivamente.

Em Frankfurt, o índice DAX registrou uma baixa relativamente moderada, de 0,31%, a 8.919,86 pontos. Como em outras praças europeias, o setor bancário contribuiu para o fechamento negativo: Commerzbank recuou 4,1% e Deutsche Bank, 2,2%. Já em Lisboa, o índice PSI 20 apresentou uma perda mais pronunciada, de 1,57%, a 6.247,72 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires.

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