Bolsas europeias recuam com falta de detalhes sobre ajuda à Grécia

Paris caiu 0,52%; Frankfurt, 0,59%; Londres, no entanto, subiu 0,57% 

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 16h58

Os índices acionários da Europa, que ganharam força durante o dia influenciados pela divulgação do balanço da gigante petrolífera Total, reduziram os ganhos perto do fechamento do pregão. Os investidores ficaram desapontados com as informações pouco detalhadas da União Europeia sobre um possível plano de resgate para a Grécia.

 

Em Paris, o índice CAC-40 caiu 18,86 pontos (0,52%) e fechou com 3.616,75 pontos; em Frankfurt, o índice Dax-30 recuou 32,44 pontos (0,59%) e fechou com 5.503,93 pontos.

 

A bolsa de Londres foi a exceção do pregão. O índice FT-100 subiu 29,49 pontos (0,57%) e fechou com 5.161,48 pontos, conduzido pelos papéis da mineradoras. Mas os investidores ainda estão esperando mais informações sobre a situação da Grécia. "A confusão sobre o socorro está deixando os investidores um pouco nervoso e as blu-chips do índice no limbo", ressaltou James Hughes da CMC Markets.

 

As ações foram comercializadas em volume elevado no início da sessão, refletindo as esperanças do investidores de que os países da UE anunciariam um pacote de socorro para ajudar a Grécia a reduzir seu déficit orçamentário e evitar que esses problemas contaminem outras economias da região.

 

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse, porém, que nenhum socorro direto será dado à Grécia, tendo em vista que o país não pediu por ajuda, mas os governos europeus estão prontos para colaborar se isso for necessário.

 

"A mensagem do núcleo da Europa sobre a Grécia é 'nós ajudaremos depois que vocês colocarem sua casa em ordem'", disse Philippe Gijsels, estrategista do Fortis. "Não será colocado dinheiro na mesa num futuro recente. E os fracos dados econômicos apresentados pela Espanha mostraram que este é um problema que está se espalhando rapidamente", acrescentou.

 

O PIB espanhol caiu 3,1% no quatro trimestre do ano passado, em base anual. Em Madri, o índice Ibex-35 caiu 173,30 pontos (1,66%) e fechou com 10.281,70 pontos, enquanto o índice ASE, em Atenas, ficou estável em 1.940,31 pontos.

 

O euro despencou em relação ao dólar, com as fracas informações sobre o socorro à Grécia. Às 16h55, a moeda recuava 0,80%, para US$ 1,368. "O que aconteceu é que um curativo foi aplicado à periferia da zona do euro.

 

Isso pode impedir que o pior aconteça, mas estas não são as condições que nós precisamos para uma recuperação sustentada da econômica e do mercado", disse Peter Dixon, estrategista do Commerzbank. "Os bancos estão sob pressão e muitos dos problemas estruturais que a economia global enfrenta vão ter de ser abordados", acrescentou.

 

Os papéis dos bancos registraram quedas fortes, com as ações do Santander recuando 2,5% e as do britânico Lloyds perdendo 3,7%.

 

Na Europa, os papéis do empresa petrolífera Total subiram 1,5% e os da Statoil avançaram 2,3%. As duas companhias informaram lucros robustos no quarto trimestre, puxados pelas alta dos preços do petróleo que compensou as fracas margens de refino e a queda dos preços do gás natural.

 

As ações da Rio Tinto, fecharam em alta de 2,4%, depois que a mineradora anunciou um crescimento de 33% no seu lucro no ano fiscal 2009, para US$ 4,87 bilhões. O resultado refletiu as vendas recorde de minério de ferro e a expansão da produção de ouro e aço.

 

Já as ações da montadora francesa Renault declinaram 5,4%, com o anúncio de que a companhia registrou um prejuízo líquido de 3,07 bilhões de euros no ano passado. A Renault atribuiu metade do resultado a empresas associadas.

 

A receita da companhia recuou 10,8% em 2009, para 33,7 bilhões de euros. A Renault foi a segunda maior montadora europeia a divulgar esta semana uma perspectiva econômica sombria para 2010, prevendo queda de 10% para o mercado de automóveis da UE, semelhante à queda de 9% projetada pela Peugeot na quarta-feira.

 

Os papéis de outras montadoras foram pressionados. A Daimler caiu 2,6% e a Fiat perdeu 2,2%.

 

No setor de transporte aéreo, as ações da Air France-KLM recuaram 11,2%, depois de a empresa afirmar que sua receita caiu para 5,2 bilhões de euros no terceiro trimestre do ano passado, ante 6,19 bilhões de euros no mesmo período do ano anterior. A companhia área reduziu seu prejuízo líquido de 508 milhões de euros para 295 milhões de euros.

 

As ações da fabricante de equipamentos de telefonia Alcatel-Lucent caíram 11,8%, uma vez que a empresa anunciou queda de 20% da sua receita no quarto trimestre do ano passado, para 3,97 bilhões de euros, maior que a previsão dos analistas que esperavam uma receita de 4,39 bilhões de euros.

 

A companhia também anunciou um lucro de 46 milhões de euros no quarto trimestre, ante um prejuízo de 3,89 bilhões de euros no mesmo período de 2008. As informações são da Dow Jones.

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