Bolsas europeias recuam com incerteza sobre estímulos

Sinais de recuperação da zona do euro diminuíram as esperanças de investidores sobre o anúncio de medidas do Banco Central Europeu

Lucas Hirata, com informações da Dow Jones,

23 de abril de 2014 | 13h46

Os mercados de ações da Europa fecharam em queda nesta quarta-feira, 23, depois que novos sinais de recuperação da zona do euro diminuíram as esperanças sobre o anúncio de medidas adicionais de estímulo na região. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia com perda de 0,59%, a 335,05 pontos.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro avançou em abril para o maior nível em 35 meses. O índice atingiu 54,0 em abril, de 53,1 em março, e ficou acima da previsão de economistas, de 53,3. Na mesma linha, o PMI composto da Alemanha subiu para 56,3 em abril, de 54,3 em março. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade, enquanto números abaixo desta marca sugerem contração.

Segundo analistas, resultados fortes podem ter uma repercussão "negativa" para a busca dos investidores por novas medidas de estímulo monetário, o que explica parte da tendência de baixa nas ações. "PMIs mais fortes podem encorajar o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, a manter a política inalterada, especialmente com a aproximação das eleições europeias", afirmou Jeremy Batstone-Carr, economistas chefe e estrategista da corretora Charles Stanley, que possui cerca de 18 bilhões de libras (US$ 30,3 bilhões) de ativos sob gestão.

Batstone-Carr disse também que os investidores devem aguardar outros indicadores fortes que possam ter efeito sobre os balanços das empresas para avançar com o rali recente das ações na Europa. "A questão mais importante é saber se o setor corporativo da região pode oferecer crescimento."

O sentimento dos investidores também foi prejudicado por indicadores negativos de França, China e Estados Unidos. O índice dos gerentes de compras francês voltou a cair em abril, de acordo com números preliminares. O PMI de serviços perdeu força e caiu para 50,3 neste mês, de 51,5 em março, enquanto o índice do setor industrial recuou para 50,9 em abril, de 52,1. Como resultado, o PMI composto caiu para 50,5 em abril, de 51,8 em março, e atingiu o menor nível em dois meses. Os três indicadores ficaram aquém das expectativas de analistas e sinalizam uma desaceleração no crescimento do setor privado francês.

Os participantes do mercado também analisaram, com certa cautela, novas indicações de desaceleração na manufatura da China. Embora o PMI industrial chinês medido pelo HSBC tenha mostrado ligeira melhora em abril, o resultado permaneceu abaixo da marca de 50 - o que sinaliza contração de atividade - pelo quarto mês consecutivo. Os dados chineses não refletem nem uma melhora suficientemente forte para alavancar a confiança na maior economia asiática, nem uma fraqueza intensa capaz de justificar novos estímulos por Pequim.

As baixas foram acentuadas durante o pregão com a divulgação dos dados dos EUA. As vendas de moradias novas caíram 14,5% em março, para a taxa anual sazonalmente ajustada de 384 mil, o menor nível desde julho de 2013, segundo o Departamento de Comércio. O dado surpreendeu negativamente, visto que analistas consultados pela Dow Jones Newswires previam alta de 2,3% nas vendas. Além disso, o PMI do setor industrial norte-americano caiu para 55,4 em abril, de 55,5 em março, segundo dados preliminares da Markit.

Em Frankfurt, o índice DAX fechou em queda de 0,58%, aos 9.544,19 pontos. O índice CAC-40, de Paris, encerrou em baixa de 0,74%, aos 4.451,08 pontos, enquanto o FTSE, de Londres, caiu 0,11%, para 6.674,74 pontos. Em Madri, o índice IBEX-35 cedeu 0,13%, aos 10.424,40 pontos.

Entre as piores quedas, o índice PSI-20, de Lisboa, caiu 1,20%, para 7.454,03 pontos, e o índice FTSEMib, de Milão, recuou 1,18%, para 21.675,75 pontos. (Com informações da Dow Jones)

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