Bolsas europeias recuam em meio a receios sobre China

Índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 3,33 pontos, ou 1,18%, para 279,39 pontos

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

20 de janeiro de 2011 | 16h17

Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em baixa, pressionados pelo declínio nos papéis dos setores automobilístico e de mineração, em meio a receios com a possibilidade de mais apertos monetários na China. O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 3,33 pontos, ou 1,18%, para 279,39 pontos.

Na Bolsa de Londres, o FTSE 100 recuou 108,79 pontos, ou 1,82%, para 5.867,91 pontos. Em Paris, o índice CAC 40 perdeu 11,87 pontos, ou 0,30%, para 3.964,84 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX teve queda de 58,49 pontos, ou 0,83%, para 7.024,27 pontos. Em Madri, o IBEX subiu 80,40 pontos, ou 0,76%, para 10.636,90 pontos.

A China divulgou, na madrugada de hoje, que a economia do país cresceu 10,3% no ano passado - mais que o previsto -, ante uma expansão de 9,2% verificada em 2009. Já o índice de preços ao consumidor do país acumulou alta de 3,3% em 2010, após uma deflação de 0,7% observada um ano antes. A inflação ficou 0,3 ponto porcentual acima da meta do banco central, trazendo novamente à tona expectativas de aumento nos juros chineses.

Essa expectativa pesou particularmente sobre os papéis do setor de mineração, já que uma política monetária mais apertada poderia diminuir o ritmo de crescimento econômico da China e, por tabela, a demanda por metais. As ações da Xstrata PLC caíram 5,06%, enquanto a Kazakhmys perdeu 5,18%. Também fecharam em baixa Anglo American (-4,72%), BHP Billiton (-3,56%) e Rio Tinto (-3,15%).

Os papéis do setor automobilístico também foram atingidos. Entre as montadoras alemãs, a Volkswagen liderou as perdas, recuando 4,60%, seguida por BMW (-4,06%) e Daimler (3,0%). Na Itália, a Fiat fechou em baixa de 3,75%, sofrendo pressão adicional do fato de o JPMorgan Cazenove ter rebaixado a recomendação das ações da companhia para "abaixo da média", de "neutra".

O receio com o crescimento inesperadamente forte da China também mostra como as expectativas econômicas mudaram ao longo dos últimos meses, disse Bernard McAlinden, estrategista da NCB Stockbrokers. No início do ano passado, os mercados estavam preocupados com a sustentabilidade do crescimento chinês, mas agora o foco foi deslocado para a possibilidade de aumento nos juros. "Há alguns trimestres, os dados seriam uma boa notícia", disse McAlinden.

No setor financeiro, o Man Group caiu 2,39% após divulgar que os clientes no último trimestre continuaram tirando dinheiro dos fundos gerenciados pela companhia. Entre as companhias aéreas, as ações da easyJet recuaram 16% após a empresa divulgar que seu prejuízo no primeiro semestre fiscal praticamente dobrou em comparação a igual período do ano anterior.

Os destaques de alta incluíam a Alstom, que subiu 3,91% em Paris depois de anunciar que as encomendas cresceram no trimestre passado e devem seguir esse movimento. Os bancos também tiveram uma sessão positiva, com alta do Société Générale (+1,19%), do Barclays (+2,40%), do Unicredit (+2,19%) e do BBVA (+1,35%), entre outros. As informações são da Dow Jones.

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