Bolsas européias têm pior queda em três anos e meio

As Bolsas européias sofreram sua maior queda dos últimos três anos e meio, informa o jornal Financial Times. Os mercados reagiram ao núcleo do índice de preços ao consumidor dos EUA, que subiu mais do que se previa em abril, elevando a probabilidade de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) volte a apertar a política monetária em sua próxima reunião. O índice FT-100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 170,7 pontos (2,92%), em 5.675,5 pontos. Outro fator para a queda foi a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, segundo a qual a decisão de manter a taxa básica de juros inalterada não foi unânime (um integrante do comitê votou por uma elevação). "A preocupação é que os EUA tenham que elevar suas taxas de juro mais do que se previa anteriormente. A expectativa do mercado quanto às taxas de juro subiu em todos os lugares, e acho que isso é um reflexo da alta dos preços das commodities, que está alimentando as expectativas de inflação", comentou o economista-chefe da Schroders, Keith Wade. As ações do grupo J. Sainsbury, do setor de comércio varejista, caíram 4,91%, em reação à divulgação de seu informe de resultados. Outros destaques negativos do pregão foram Anglo American (-5,73%), BAE Systems (-4,67%), Corus (-6,55%), Next (-5,45%) e Xstrata (-5,28%). Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em queda de 161,38 pontos (3,18%), em 4.920,31 pontos. As ações do Crédit Agricole caíram 6,44%, apesar de o resultado do banco no primeiro trimestre ter superado as previsões; investidores temem que o Crédit Agricole passe a fazer aquisições. Entre as ações de empresas que divulgaram resultados, os destaques foram EADS (+0,29%), Vivendi Universal (-0,18%) e Alstom (-4,68%). As ações do setor de tecnologia também caíram (Alcatel -5,28%, CapGemini -4,72%, STMicroelectronics -3,82%). Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em queda de 199,20 pontos (3,40%), em 5.652,72 pontos. Um operador disse que o mercado alemão já sofreu uma correção suficiente e poderá voltar a subir. Ele prevê mais volatilidade nos próximos dias, por causa do vencimento de opções, na sexta-feira. As ações da Lufthansa caíram 1,17%, antes do pagamento de dividendos. Outros destaques negativos foram Allianz (-4,43%), Commerzbank (-5,00%) e Siemens (-4,05%). Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em queda de 1.069 pontos (2,85%), em 36.471 pontos. As ações das empresas de energia estavam entre as que mais caíram, em reação às investigações das autoridades antitruste da União Européia sobre irregularidades no setor (ENI -2,84%, Enel -2,49%, Saipem -3,47%, Snam -2,39%). As do setor financeiro também sofreram quedas fortes (Intesa -3,69%, Capitalia -2,31%). Na Bolsa de Madri, o índice Ibex-35 fechou em queda de 347,70 pontos (3,00%), em 11.248,20 pontos. As ações que mais caíram foram as do setor de construção, o que mais havia subido desde o começo do ano (FCC-6,27%). As da Gamesa, que divulgou resultados, recuaram 0,57%. As ações do setor financeiro também caíram (BBVA -2,67%, BSCH -3,48%). Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 fechou em queda de 141,10 pontos (1,45%), em 9.574,79 pontos. As ações do banco Comercial Português caíram 3,42%, com o temor dos investidores de que a instituição tenha que aumentar sua oferta para a aquisição do BPI (cujas ações recuaram 1,53%). As ações da Portugal Telecom, que divulga resultados nesta quinta-feira, caíram 0,74%. As informações são da Dow Jones.

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