Bolsas européias têm queda após alerta sobre inflação

As principais Bolsas européias fecharam em queda, depois de o Banco Central Europeu (BCE) sinalizar que deverá apertar a política monetária ainda neste ano, mesmo mantendo a taxa básica de juros em 3% no encontro de hoje. "Prevemos, pelo menos, mais um aumento da taxa de juro pelo BCE até o fim do ano. O risco a partir de agora, obviamente, é de inflação", comentou o analista da F&C Asset Management, Peter Jarvis. Pela manhã, a União Européia informou que o índice de preços ao consumidor da Zona do Euro recuou para 2,3% anuais em agosto, mas continua acima da meta de 2%. Jarvis ressalvou que a perspectiva dos mercados no médio prazo é positiva, tendo em vista os informes de resultados das empresas no segundo trimestre, os indicadores econômicos e a maior atividade em fusões e aquisições. Hoje, algumas ações reagiram a informes de resultados, como o banco belga KBC, com queda de 6,5%, em Bruxelas. Em Estocolmo, as ações da Royal Caribbean Cruises subiram 3%, depois de a empresa elevar sua projeção de lucro. Na Bolsa de Londres, o índice FT-100 fechou em queda de 23,2 pontos (0,39%), em 5.906,1 pontos. No mês de agosto, o índice acumulou queda de 0,37%. Segundo o operador da Finspreads, Angus Campbell, o mercado reagiu hoje negativamente aos informes de que o Irã não suspendeu seu programa nuclear no prazo exigido pelo Conselho de Segurança da ONU. "Pensava-se que o mercado já havia embutido essa possibilidade nos preços, mas, claramente, não era o caso. Agora, os investidores terão mais dias de incerteza pela frente", comentou Campbell. As ações da indústria de bebidas Diageo caíram 2,5%, em reação a seu informe de resultados. As da linha de navios de cruzeiro Carnival subiram 2,88%, em reação à projeção de lucro apresentada pela rival sueca Royal Caribbean. Os papéis da operadora de cassinos London Clubs International avançaram 30%, depois de a empresa aceitar oferta de aquisição feita pela norte-americana Harrah's Entertainment. No setor de mineração, as ações da Anglo American caíram 2,57% e as da Antofagasta subiram 4,02%. O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, fechou em queda de 17,75 pontos (0,34%), em 5.165,04 pontos. Operadores disseram que o mercado mostrou nervosismo, depois de três pregões consecutivos de altas, diante da advertência sobre inflação feita pelo presidente do BCE, Jean-Claude Trichet. Isso contrabalançou o fato de a taxa de desemprego na França ter recuado para 8,9% em julho, de 9% em junho. Em reação a informes de resultados, as ações da Air France-KLM subiram 2,9% e as da L'Oreal avançaram 2%. As da Alstom caíram 2,84% devido à realização de lucros. Os papéis da Crédit Agricole recuaram 2,37%, com os investidores mostrando dúvidas quanto ao impacto da fusão entre os bancos italianos Intesa e San Paolo IMI. No setor de tecnologia, as ações da STMicroelectronics caíram 2,21%, depois de rebaixamento de recomendação pelo Citigroup. As ações da Pernod Ricard, do setor de bebidas, caíram 0,76%, em reação ao informe de resultados da rival Diageo. No mês de agosto, o CAC acumulou uma alta de 3,11%. Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra-DAX fechou em baixa de 7,96 pontos (0,14%), em 5.859,57 pontos. Operadores disseram que a decisão do BCE não teve impacto no mercado. "As declarações de Trichet não trouxeram qualquer surpresa, mas as perspectivas de inflação e de crescimento estão maiores do que se previa", afirmou um profissional. Para alguns operadores, 3,5% poderá não ser o nível máximo a que o BCE elevará sua taxa de juros no atual ciclo de aperto monetário. As ações da Deutsche Telekom caíram 0,7%, após comentários dos analistas do Crédit Suisse. Operadores disseram que as atenções do mercado nesta sexta-feira estarão concentradas na divulgação do PIB da Zona do Euro no segundo trimestre e nos dados do nível de emprego nos EUA em agosto. No mês de agosto, o DAX acumulou uma alta de 3,13%. O índice S&P-Mib, da Bolsa de Milão, fechou em queda de 55 pontos (0,14%), em 37.938 pontos. O mercado reagiu ao anúncio de que o governo italiano aprovou um programa de redução de gastos de ? 30 bilhões, "deixando muitas incertezas quanto a elevações de impostos", disse um operador. As ações dos bancos continuaram a se mover em reação ao anúncio da fusão entre Intesa e San Paolo IMI (Banca Popolare Verona-Novara +3,66%, Capitalia -1,72%). As ações da Alitalia recuaram 0,10%, pós a Air France dizer que não está pronta para uma fusão. No mês de agosto, o S&P-Mib acumulou uma alta de 3,64%. A Bolsa de Madri fechou com o índice Ibex-35 em queda de 27,20 pontos (0,22%), em 12.144,70 pontos. As ações da Endesa subiram 0,30%), em meio à expectativa de que seja resolvida logo a disputa para a aquisição da empresa. As da Sacyr Vallehermoso, que divulga resultados nesta sexta-feira, recuaram 0,82%. Entre as empresas que divulgarão resultados amanhã também estão Sogecable e Metrovacesa. Em agosto, o Ibex acumulou uma alta de 2,76%. Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 fechou em baixa de 6,73 pontos (0,07%), em 9.957,57 pontos. As ações da Sonae Indústria, que divulgaria resultados depois do fechamento, caíram 0,45%. As da Portugal Telecom recuaram 0,30%. No mês de agosto, o PSI-20 acumulou alta de 3,02%. As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

31 de agosto de 2006 | 15h19

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