Bolsas fecham em queda na Europa após dia pessimista

Encontro de líderes da zona do euro, no próximo final de semana, deixou investidores desconfiados em relação a um novo acordo para a solução da crise

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

18 de outubro de 2011 | 15h13

Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em baixa, pressionadas pelo pessimismo antes do encontro de líderes da zona no euro no final de semana. Hoje, o índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 0,38%, fechando em 235,33 pontos. A tensão foi acentuada pelo alerta da agência de classificação de risco Moody''s sobre a nota (rating) da França, além da notícia sobre a desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China.

A notícia sobre a economia chinesa provocou perdas entre as ações do setor de matérias-primas e do setor de luxo. "A tendência se tornou ruim para as ações na tarde de ontem e apenas piorou com a notícia do crescimento mais lento da China em dois anos", disse Chris Purdy, operador da Spreadex, em nota.

Ontem, as declarações do governo da Alemanha acabarem com as esperanças de uma resolução da crise da dívida da zona do euro no encontro de líderes da União Europeia no final de semana. Christian Tegllund Blaabjerg, economista-chefe do FIH Erhvervsbank, disse que os investidores ainda estão desapontados com a declaração do governo alemão. Segundo ele, a situação é muito séria e os políticos ainda não se deram conta disso. Blaabjerg disse que declarações contraditórias sobre haver ou não uma solução para o problema atrapalham a confiança dos mercados.

Índices e ações

O índice CAC 40, da Bolsa da França, caiu 0,79%, para fechar em 3.141,10 pontos. Ontem à noite, a Moody''s advertiu que o rating AAA do país pode estar em risco, por conta de métricas mais fracas de endividamento e do potencial surgimento de novas obrigações. Em Paris, as ações do Société Générale caíram 5%, BNP Paribas recuou 3,6%, e Crédit Agricole perdeu 3,3%.

Entre as altas, a fabricante de pneus Michelin subiu 2,8%, após analistas no J.P. Morgan Cazenove elevarem a recomendação de suas ações de "neutra" para "overweight". As ações do grupo Danone ganharam 2,2%, após a companhia informar sobre um crescimento de 5,9% em suas vendas e demonstrar confiança em seu resultado para o restante do ano.

LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, do setor de luxo, fechou em alta de 0,4%. O grupo informou que suas vendas cresceram 18% no terceiro trimestre e afirmou estar confiante para o restante de 2011.

Porém alguns setores dependentes da China, como o de luxo e mineradoras, foram pressionados após o PIB do país crescer 9,1% no terceiro trimestre, uma desaceleração em comparação com os 9,5% do trimestre anterior. As ações da Christian Dior, do mercado de luxo, caíram 0,8% e Burberry Group recuou 1,3%, enquanto a mineradora Rio Tinto perdeu 4,3% e a Xstrata, que informou sobre queda na produção de cobre no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2010, caiu 1,3%.

As ações da Air France-KLM recuaram 2,5%, após a companhia aérea anunciar no fim da segunda-feira que seu executivo-chefe Pierre-Henri Gourgeon se demitiu.

Em Londres, o índice FTSE 100 perdeu 0,48%, para 5.410,35 pontos, com as perdas das mineradores pesando. Os bancos com bastante foco na Ásia Standard Chartered (-2,7%) e HSBC (-0,5%) também tiveram perdas. As ações do Royal Bank of Scotland recuaram 1,4%, após o Morgan Stanley cortar sua recomendação para o banco de "equalweight" para "underweight".

Na contramão, em Frankfurt o índice DAX 30 ganhou 0,31%, a 5.877,41 pontos. Entre as ações que tiveram altas estiveram Volkswagen (1,6%), BMW (1,1%) e BASF (0,7%). Na Bolsa de Milão, o índice FTSE MIB ganhou 0,35%, para 15.970,14 pontos.

Na Espanha, o índice Ibex 35 da Bolsa de Madri caiu 0,60%, a 8.811,30 pontos. Mediaset teve queda de 4,6%, após a ação ser rebaixada pelo Credit Suisse. Em Lisboa, o índice PSI 20 recuou 0,12%, para 5.995,65 pontos. Entre as baixas estiveram o Banco PPI (-4,25%) e o Banco Comercial Português (-3,51%). As informações são da Dow Jones.

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