Bolsas na Europa caem com impasse nos EUA

Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em queda, pressionados pela falta de um acordo sobre o aumento no teto da dívida dos Estados Unidos. Além disso, também pesaram negativamente a divulgação de resultados financeiros considerados fracos e as preocupações com os bancos, depois de o Goldman Sachs rebaixar sua recomendação para as ações do setor.

GUSTAVO NICOLETTA, Agencia Estado

27 de julho de 2011 | 15h11

Segundo o estrategista Koen De Leus, da KBC Securities, a maioria dos participantes do mercado está esperando um acordo de última hora nos EUA que eleve o limite de endividamento do país e evite a possibilidade de um default (moratória) norte-americano. No entanto, quanto mais tempo levar para os congressistas e a Casa Branca chegarem a um consenso, mais nervosos os investidores ficarão. "Ninguém pode medir as consequências de um default deste tipo", afirmou de Leus. "Ninguém sabe o que vai acontecer e se haverá efetivamente um default no dia 2 de agosto."

Ele comentou também que os balanços na Europa em geral estão vindo muito mais fracos do que os divulgados nos EUA, em parte por causa do fortalecimento do euro. "Não é que as empresas dos EUA estejam muito melhores em termos operacionais, é que elas realmente lucram bastante com o dólar fraco", avaliou.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 1,12%, para 267,05 pontos. As ações do grupo suíço Clariant tiveram um declínio superior a 14%, o mais acentuado entre os componentes do índice, depois de a companhia anunciar um lucro líquido para o segundo trimestre que ficou aquém das expectativas dos investidores.

Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 recuou 1,23%, para 5.856,58 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,42%, para 3.734,07 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em baixa de 1,32%, a 7.252,68 pontos.

Em Milão, o índice FTSE MIB caiu 2,81%, para 18.494,27 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, recuou 1,93%, para 9.643,30 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 2,67%, para 6.840,65 pontos. O ASE, da Bolsa de Atenas, perdeu 0,51%, para 1.226,92 pontos.

Entre os destaques da sessão, a Alcatel-Lucent perdeu quase 7% em Paris depois de a companhia norte-americana Juniper Networks ter divulgado ontem que as empresas e os governos estão deixando de investir em produtos de rede por causa das preocupações com a economia. Ainda em Paris, a montadora Peugeot registrou queda de 7,6% em seus papéis após divulgar que o aumento nos preços das matérias-primas deve limitar seu crescimento no segundo semestre.

Os papéis da ArcelorMittal, que anunciou um declínio no lucro do segundo trimestre na comparação com igual período do ano passado, subiram 0,8%. A siderúrgica também divulgou que seu desempenho no segundo semestre deste ano deve ser melhor do que o registrado um ano antes.

As ações de bancos fecharam em baixa, em sua maioria, depois de o Goldman Sachs rebaixar a recomendação dos papéis do setor para "neutra", de "acima da média". "Dado o prospecto da atual desalavancagem, a demanda doméstica em boa parte da periferia da Europa deve continuar fraca, restringindo a perspectiva de crescimento nos empréstimos para boa parte do setor", afirmou o Goldman.

Em Frankfurt, o Commerzbank caiu 4,1% e o Deutsche Bank recuou 1,6%. Em Paris, fecharam em baixa Société Générale (-2,6%) e Crédit Agricole (-2,0%). O Santander recuou 3,2% em Madri depois de divulgar um declínio de 38% no lucro do segundo trimestre. Em Milão, tiveram declínio Banco Popolare (-5,4%) e Mediobanca Banca di Credito Finanziario (-4,9%).

No setor farmacêutico, a Merck fechou em baixa de 4,8% depois de divulgar que obteve prejuízo no segundo trimestre por causa de uma série de custos extraordinários. As informações são da Dow Jones.

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