Bolsas na Europa mostram tendência de queda

Sinais mistos sobre a recuperação econômica na Europa pressionam os mercados de ações da região nesta quarta-feira, 23. A tendência de queda foi desencadeada principalmente por indicadores que mostraram um enfraquecimento da atividade no setor privado francês, o que acabou limitando efeitos de dados positivos da zona do euro e da Alemanha.

LUCAS HIRATA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES, Agencia Estado

23 de abril de 2014 | 08h09

O índice dos gerentes de compras (PMI) da França voltou a cair em abril, de acordo com números preliminares. O PMI de serviços perdeu força e caiu para 50,3 neste mês, de 51,5 em março, enquanto o índice do setor industrial recuou para 50,9 em abril, de 52,1. Como resultado, o PMI composto caiu para 50,5 em abril, de 51,8 em março, e atingiu o menor nível em dois meses. Os três indicadores ficaram aquém das expectativas de analistas e sinalizam uma desaceleração no crescimento do setor privado francês.

Por outro lado, os índices de atividade da zona do euro e da Alemanha tiveram resultados melhores do que o esperado. O PMI composto da zona do euro avançou para 54,0 em abril, de 53,1 em março, atingindo seu maior nível em 35 meses. A previsão de analistas consultados pela Dow Jones para o indicador, que engloba os setores industrial e de serviços, era de ligeira alta para 53,3.

Já o PMI composto da Alemanha subiu para 56,3 em abril, de 54,3 em março. O resultado foi o mais alto em dois meses. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade, enquanto números abaixo desta marca sugerem contração.

Segundo analistas, resultados fortes podem ter uma repercussão "negativa" para a busca dos investidores por novas medidas de estímulo monetário, o que explica parte da tendência de baixa nas ações. "PMIs mais fortes podem encorajar o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, a manter a política inalterada, especialmente com a aproximação das eleições europeias", afirmou Jeremy Batstone-Carr, economistas chefe e estrategista da corretora Charles Stanley, que possui cerca de 18 bilhões de libras (US$ 30,3 bilhões) de ativos sob gestão.

Segundo Batstone-Carr, os investidores devem aguardar outros indicadores fortes que possam ter efeito sobre os balanços das empresas para avançar com o rali recente das ações na Europa. "A questão mais importante é saber se o setor corporativo da região pode oferecer crescimento", disse ele.

Os investidores também estão digerindo novos sinais de uma desaceleração no setor industrial na China. Embora o PMI industrial da China tenha mostrado uma ligeira melhora em março, o indicador ainda apontava para um quarto mês de contração no setor. Além disso, o yuan caiu para seu nível mais baixo em 16 meses e as ações no país fecharam em baixa nesta quarta-feira, em meio a um certo pessimismo sobre desaceleração da economia da China.

No noticiário, as ações da Associated British Foods subiram depois que a empresa registrou um aumento no lucro semestral, devido principalmente ao forte desempenho de sua rede de roupas Primark e unidades de supermercado. Os papéis da empresa subiam 8,96% em Londres.

A Ericsson estava entre as maiores quedas na região após a empresa anunciar um recuo acentuado na receita no primeiro trimestre. A companhia disse que o resultado ocorreu devido a receitas menores na América do Norte e Japão. As ações da empresa caíam 4,10% em Estocolmo.

Às 7h55 (de Brasília), os principais mercados europeus permaneciam no campo negativo: Londres cedia 0,16%, Frankfurt recuava 0,31% e Paris caía 0,41%. No mercado de moedas, o euro ganhou força após os dados e subia, a US$ 1,3840. A libra caía, a US$ 1,68002.

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