Bolsas na Europa recuam após fala de Bernanke

Presidente do Federal Reserve admitiu possível redução de compras de bônus do banco central

23 de maio de 2013 | 13h49

A possibilidade de o Federal Reserve começar a desfazer sua política de estímulos e a fraqueza do setor manufatureiro da China levaram as principais bolsas europeias a fechar em forte baixa nesta quinta-feira, 23. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia com queda de 2,13%, aos 303,99 pontos.

Em depoimento na quarta-feira, 22, no Congresso dos Estados Unidos, o presidente do Fed, Ben Bernanke fez um alerta para o aperto prematuro da política de relaxamento quantitativo, mas admitiu uma possível redução no ritmo de compras de bônus do BC norte-americano nos próximos meses. Horas depois, a ata da última reunião de política monetária do Fed reiterou que a instituição pode de fato passar a comprar menos ativos caso os indicadores econômicos continuem melhorando. Em face disso, a questão agora é quando - e não mais se - o Fed vai começar a retirar seus esforços de estímulo.

Os sinais de fraqueza da manufatura na China colaboraram para piorar o sentimento do investidor na Europa. O índice preliminar dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria chinesa medido pelo HSBC recuou para 49,6 em maio, o menor nível em sete meses, de 50,4 em abril. Leituras abaixo de 50 indicam contração da atividade. O dado chinês teve um impacto particularmente forte na Bolsa de Tóquio, cujo índice Nikkei fechou hoje com queda de 7,32%, o maior recuo em termos porcentuais desde março de 2011.

Nos EUA, o PMI industrial da Markit também caiu, para 51,9 na leitura preliminar de maio, de 52,1 em abril, mas manteve-se acima do patamar que separa a expansão da retração. Já os PMIs da zona do euro e da Alemanha avançaram, enquanto o da França ficou estável, mas todos se mantiveram abaixo de 50. Também no bloco que compartilha o euro, o índice de confiança do consumidor avançou em maio, mas ficou ligeiramente abaixo da expectativa.

Na Bolsa de Londres, o índice FTSE 100 caiu 2,10%, para 6.696,79 pontos, pressionado por mineradoras como Anglo American (-5,1%), Antofagasta (-4,4%) e Rio Tinto (-4,3%). O pior desempenho, no entanto, foi do índice FTSE Mib, de Milão, que tombou 3,06%, para 17.008,42 pontos. Neste caso, pesaram bancos como Mediobanca (-4,8%), UBI Banca (-4,5%) e Intesa Sanpaolo (-4,3%), mas todas as ações das empresas mais negociadas na Itália recuaram.

Os setores varejista e bancário influenciaram a Bolsa de Paris, que teve perda de 2,07% no índice CAC 40, para 3.967,15 pontos. Carrefour e Société Générale declinaram 5,1% e 3,9%, respectivamente. Em Frankfurt, o índice DAX caiu 2,10%, para 8.351,98 pontos, com baixa de 3,5% da seguradora Allianz. Na capital espanhola, Madri, o índice Ibex 35 recuou 1,40%, para 8.343,60 pontos. Em Lisboa, o índice PSI 20 perdeu 1,16%, terminando o pregão aos 5.971,64 pontos. As informações são da Dow Jones.

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