Bolsas na Europa sobem, após sequência negativa

Apesar do ganho de hoje, semana nos mercados europeus foi marcada pelo aumento do temor em relação à crise das dívidas soberanas 

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

25 de novembro de 2011 | 16h09

Os principais índices das bolsas europeias fecharam em alta nesta sexta-feira, interrompendo uma sequência de seis sessões negativas. Ainda assim, a semana foi negativa para as bolsas do continente, em um período marcado pelo aumento do temor diante da crise das dívidas soberanas. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,71%, ou 1,56 ponto, chegando a 221,54 pontos. Na semana, o índice recuou 4,6%.

Na França, o índice CAC 40, da Bolsa de Paris, subiu 1,23%, para 2.856,97 pontos, com a petrolífera Total ganhando 2,4%. As ações da AXA subiram 1,7%, após o Goldman Sachs elevar o rating da seguradora de neutro para comprar. Na semana, o CAC 40 teve queda de 4,67%.

O índice DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, fechou em alta de 1,19%, para 5.492,87 pontos, e na semana recuou 5,30%. Commerzbank subiu 2,9% e o grupo químico Basf avançou 1,7%.

As ações dos EUA também estavam em alta no fechamento dos mercados europeus, em meio a esperanças de que os consumidores comprem bastante na chamada "Black Friday", dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, quando as lojas começam a temporada de vendas de Natal. Tradicionalmente, a Black Friday é o melhor dia no ano para os varejistas dos EUA.

O otimismo ajudou a tirar o foco de algumas notícias ruins que continuam a surgir na Europa. A Itália vendeu 8 bilhões de euros em um leilão de títulos de 6 meses e 2 bilhões de euros em bônus de 24 meses. O yield (retorno ao investidor) do bônus de 5 anos avançou 29 pontos-base, para 7,76%. Os títulos de 6 meses tiveram yield médio de 6,504%, bem acima dos 3,535% oferecidos no leilão realizado em 26 de outubro.

"Mario Monti fracassou até agora em impressionar os mercados de bônus de que tem poder e autoridade para fazer o que é preciso", afirmou Louise Cooper, analista de mercado do BGC Partners, em comentário por e-mail. Monti é o novo primeiro-ministro italiano.

Na Itália, o índice FTSE MIB subiu 0,12%, para 13.937,40 pontos, com o grupo aeroespacial e de defesa Finmeccanica ganhando 3,5%. Na semana, o FTSE MIB perdeu 8,5%.

As ações do Prysmian recuaram 4,7%, após o UBS cortar a fabricante de cabos de comprar para neutro, argumentando que os investidores não podem ignorar temores econômicos mais abrangentes. Várias ações de bancos italianos também caíram, com Banca Monte dei Paschi di Siena (-1,9%) e Banco Popolare (-2,4%).

Em boa parte do dia na Europa os mercados estiveram pressionados pelo desapontamento com um encontro entre líderes de Alemanha, França e Itália, na quinta-feira, que não produziu soluções claras para a crise na zona do euro. A chanceler alemã, Angela Merkel, novamente criticou aqueles que desejam a emissão de eurobônus, enquanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que os líderes concordaram em não impor mais pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE). A Alemanha resiste aos pedidos de tornar o BCE um emprestador de última instância.

"A menos que os políticos apareçam com sinais claros e um plano claro sobre como lidar com esses assuntos e deixem o BCE intervir adequadamente, haverá mais e mais caos", disse Christian Tegllund Blaabjerg, economista-chefe do FIH Erhvervsbank.

O Financial Times também informou na quinta-feira que um plano para reforçar a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) poderia estar ameaçado, por causa da piora nas condições do mercado nos últimos meses.

Na contramão do panorama positivo, o índice húngaro BUX recuou 3,1%, para 16.454,24 pontos, após a Moody''s cortar o rating dos bônus do governo em um degrau, para "Ba1", no fim da quinta-feira. A agência de ratings manteve a perspectiva negativa para os bônus da Hungria, dizendo que é cada vez mais incerto que o país consiga cumprir suas metas de consolidação fiscal e redução da dívida.

Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 0,72%, para 5.164,65 pontos, interrompendo nove sessões de queda. Na semana, o FTSE 100 teve queda de 3,70%. As ações dos bancos tiveram bons ganhos, com Royal Bank of Scotland (+4,3%) e Lloyds Banking Group (+3,5%). As ações do Barclays avançaram 2,1%. As gigantes do setor de petróleo BP e Royal Dutch Shell subiram 1,2% e 1,5%, respectivamente.

Na Espanha, o índice Ibex 35, da Bolsa de Madri, fechou em alta de 0,54%, em 7.763,50 pontos, mas na semana teve queda de 6,6%. Já o PSI 20, da Bolsa de Lisboa, subiu 0,41%, para 5.206,10 pontos, porém na semana perdeu 4,34%. As informações são da Dow Jones.

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