Bolsas recuam na Europa de olho em Washington

Os mercados de ações da Europa operam majoritariamente em baixa nesta quarta-feira, 16, enquanto os investidores buscam mais clareza sobre os acontecimentos em Washington. Na noite de ontem, depois de aparentes avanços, as negociações sobre a elevação do teto da dívida dos EUA voltaram a um impasse.

Agencia Estado

16 de outubro de 2013 | 08h36

Os congressistas dos EUA ainda não conseguiram chegar a um acordo e o Tesouro norte-americano já afirmou que esgotará seus poderes de conceder empréstimos emergenciais amanhã e ficará com apenas cerca de US$ 30 bilhões para pagar suas contas - o suficiente para durar uma semana ou duas.

Os líderes do Partido Republicano na Câmara dos Representantes abandonaram ontem a ideia de apresentar uma proposta própria para elevar o teto da dívida do país e reabrir totalmente o governo federal. Os líderes republicanos passaram a tarde em busca de apoio para sua proposta, que elevaria o teto da dívida até o dia 7 de fevereiro e colocaria um fim na paralisação parcial do governo até 15 de Dezembro.

Contudo, sem o apoio da bancada, os esforços dos republicanos na Câmara fracassaram e, consequentemente, a atenção deve se voltar novamente para o Senado. O líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, e o líder dos republicanos, Mitch McCnnell, retomaram as negociações e se mostraram otimistas com relação a um acordo, segundo assessores. De acordo com os assessores, um acordo no Senado pode ser anunciado nesta quarta-feira, mas o projeto ainda não será formalmente apresentado porque precisará ser votado pela Câmara.

Devido ao impasse nos EUA, a agência de classificação de risco Fitch Ratings colocou o rating AAA do país em revisão para possível rebaixamento, elevando ainda mais as tensões nos mercados. A perspectiva do rating dos EUA já era negativa. A Fitch afirmou que espera finalizar a revisão até, no máximo, o fim do primeiro trimestre de 2014, mas frisou que isso vai depender dos próximos acontecimentos e da duração de um acordo sobre o teto da dívida norte-americana.

Em outro fator potencialmente negativo para as bolsas europeias, o Partido Verde da Alemanha disse que não vê um terreno comum suficiente para formar um novo governo estável com a coalizão da chanceler Angela Merkel, o que pode forçar o grupo a negociar com o maior partido de oposição, o Partido Social Democrata (SPD). A decisão dos Verdes teve como foco a divergência sobre muitos assuntos, incluindo a demanda do partido para introduzir um salário mínimo obrigatório e aumentar os impostos para os ricos.

Entre os indicadores divulgados hoje, o superávit comercial da zona do euro subiu para 7,1 bilhões de euros em agosto, em comparação com o superávit de 4,6 bilhões de euros registrado no mesmo mês do ano passado. O resultado positivo, provocado pelo aumento das exportações somado à estagnação das importações, foi o maior para um mês de agosto desde 2002.

Também na zona do euro, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,5% em setembro, na comparação com agosto, e 1,1% em relação a setembro do ano passado. A alta anual foi a menor em três anos e meio. A desaceleração da inflação anual na zona do euro, em boa parte causada pela fraqueza da demanda, deixou a taxa bem abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE), que é de pouco menos de 2,0%.

Às 7h58 (pelo horário de Brasília), Londres caia 0,53%, Frankfurt recuava 0,17%, Paris cedia 0,83%, Madri perdia 0,24% e Lisboa operava em abaixa de 0,22%. Por outro lado, Milão subia 0,60%. O governo da Itália apresentou o projeto orçamentário para 2014 nesta semana e ontem o primeiro-ministro, Enrico Letta, disse que "esse é o primeiro orçamento sem aumento de impostos ou cortes sociais em anos". No mercado de câmbio, o dólar subia para 98,34 ienes, de 98,18 ienes no fim da tarde de ontem, e o euro avançava para US$ 1,3547, de US$ 1,3524.

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