Bombril vai passar por auditoria

Mais um capítulo da conturbada disputa societária da Bombril começa a ser escrito. Ronaldo Sampaio Ferreira, acionista majoritário da companhia e que foi reconduzido à empresa no início do mês passado por uma decisão da Justiça, vai contratar nas próximas semanas uma auditoria independente para identificar irregularidades cometidas durante os três anos em que a empresa esteve sob administração judicial."A auditoria deverá ser concluída entre 60 a 90 dias", diz Ferreira. Se forem comprovadas irregularidades, ele irá apresentar aos demais acionistas os resultados da auditoria e pretende entrar na Justiça para apurar as responsabilidades. "Não vamos compactuar com os desmandos do passado", diz o controlador. Ele ressalta que a intenção é que o trabalho de apuração seja feito por uma auditoria que não tenha vínculos com as administrações anteriores.Em 2003, o próprio Ferreira pediu a administração judicial da companhia para preservar o seu patrimônio. É que ele disputava na Justiça com o empresário italiano Sergio Cragnotti o controle da companhia. Cragnotti havia comprado a participação de Ferreira na Bombril e não havia quitado o negócio. A administração judicial que deveria, segundo Ferreira, ficar seis meses durou três anos. Na sua opinião, foi longe demais. "Eu que a pedi e eu que não consegui tirá-la."Em 2003, a Justiça, atendendo o pedido de Ferreira, acatou a administração judicial. O primeiro nomeado foi José Paulo de Sousa, que geriu a empresa entre fevereiro de 2003 e março deste ano. O segundo administrador judicial nomeado foi o advogado Marcelo Rossi Nobre, que assumiu a companhia em entre março e junho deste ano, quando ela retornou para as mãos de Ferreira. Nesse período, lembra o advogado de Ferreira, Eduardo Munhoz, ocorreram inúmeras trocas na direção da companhia."Houve um desmando total na administração judicial", diz o controlador da Bombril, que faturou em 2005 R$ 890 milhões, menos do que há 10 anos. Na sua avaliação, a administração judicial não foi boa quanto ele imaginava porque, segundo ele, geriu mal e abusou de poder.Essa suspeita decorre do estado em que a empresa hoje está. Ele ilustra a má gestão com exemplos. Um deles é o fato de a companhia, já em situação difícil, ter fechado contratos de propaganda para o ano que vem em torno de R$ 30 milhões e ter pago quase tudo antecipadamente. "Isso gera uma suspeita." Além disso, em um ano foram gastos só com honorários de advogados cerca de R$ 15 milhões. Segundo Ferreira, os advogados foram contratados inclusive para impedir a sua volta. "Queriam impedir que eu voltasse para a minha empresa, que nunca deixou de ser minha porque eu vendi e não recebi."Ferreira lembra que nesse período foi fechada uma fábrica, com cerca de 500 empregados, em Sete Lagoas (MG), de forma abrupta, sem estudos. Isso resultou num prejuízo à empresa de mais de R$ 3 milhões em indenizações trabalhistas." Seis meses após o fechamento, a fábrica foi reaberta.Procurados pelo jornal O Estado de S.Paulo, os ex-administradores judiciais não se mostraram intimidados. "Tomara que ele faça a auditoria", diz José Paulo de Sousa. Segundo ele, foi a sua administração que salvou a Bombril."Acho excelente a iniciativa de Ferreira. Eu faria o mesmo", afirma Marcelo Rossi Nobre. "Após a auditoria ele vai agradecer pela minha gestão."

Agencia Estado,

03 de agosto de 2006 | 09h52

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