Bombril volta às mãos da família Sampaio Ferreira

Por três votos a zero, a 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo pôs fim, na última sexta-feira, à administração judicial da Bombril, atendendo pedido de Ronaldo Sampaio Ferreira, filho do fundador da empresa. Ontem, o executivo José Roberto D'Aprille, indicado por Ferreira, assumiu o posto de diretor-geral da companhia.O retorno de Ferreira à Bombril, agora na condição de acionista majoritário, é resultado de uma barulhenta batalha judicial iniciada após 2002, quando o italiano Sergio Cragnotti, então controlador da Bombril, se envolveu em um escândalo financeiro na Itália. Seu grupo, o Cirio, acabou quebrando, e as dívidas com os credores, incluindo os da Bombril, não foram honradas.Ferreira pediu a administração judicial para que a Cirio Finanziaria, controladora da holding Bombril, pagasse pela sua participação na empresa. Segundo Ferreira, ele não havia recebido de Cragnotti o pagamento pelas ações da Bombril. Ferreira ganhou na Justiça o reconhecimento dessa dívida, e em julho de 2003 teve início a administração judicial. Depois disso, porém, o advogado que o representava, Augusto Coelho, ganhou uma ação em que pedia que a administração judicial fosse exercida em seu nome, como garantia de pagamento de honorários então estimados em R$ 80 milhões.Ferreira passou então a lutar pelo fim da administração judicial e contra o seu ex-advogado, sobretudo após ser procurado para acordo com comissários nomeados pela Justiça italiana para gerir os negócios de Cragnotti, que lhe ofereciam acordo que implicava no controle da Bombril.O atual advogado de Ferreira, Eduardo Munhoz, diz que a decisão do Tribunal, não só encerrou os três anos que durou a administração judicial como reduziu os honorários de Coelho a R$ 20 milhões. Esse valor, explica Munhoz, será dividido por Coelho com o escritório de advocacia Ferrari Magalhães e Ferraz, que o sucedeu na representação de Ferreira.Com a decisão da Justiça e o acordo feito com os comissários italianos liderados por Mário Resca, Ferreira passou a deter 55% da Bombril S.A., por meio da Bombril Holding, que tem 45% da empresa e da qual ele passou a ter 80% do capital. Entre os outros acionistas da Bombril, além de minoritários, destacam-se a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e o BNDES.D'Aprille disse ontem à reportagem do O Estado de S.Paulo que seu desafio será o de manter a liderança das marcas e integrar a coligada Pronto, de Pernambuco, que fabrica produtos mais baratos vendidos no Nordeste. O executivo disse que os funcionários estão aliviados pelo fato de a "empresa agora voltar a ter um dono". A última vez em que cruzou as portas da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo (SP), foi para vendê-la, a pedido de Cragnotti. Agora, sua missão é recuperá-la após toda a crise.A Bombril foi fundada em 1948 como fabricante de lã de aço. Hoje, produz 124 itens de limpeza em três fábricas - São Bernardo do Campo, Abreu e Lima (PE) e Sete Lagoas (MG) -, emprega 2 mil pessoas e tem outras marcas na carteira, como Limpol, Mon Bijou, Sapólio Radium, Pronto e Pinho Bril.

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