Bônus de emergentes devem ser fortalecer e rivalizar com títulos do Tesouro Americano

Taxas de juros baixas e enfraquecimento do dólar impulsionarão ativos dos mercados emergentes

Regina Cardeal, da Agência Estado,

26 de agosto de 2010 | 18h57

Os bônus dos mercados emergentes devem ganhar sustentação com o término do período de férias de verão no hemisfério norte, desde que a economia global continue estável, disseram economistas à Dow Jones. Com as taxas de juro do mundo industrializado em recorde de baixa, as expectativas de enfraquecimento do dólar também ajudam a levar investidores para bônus denominados em moedas high yield e papéis de países com taxas de juro e de crescimento mais elevadas. Isso deve favorecer novas emissões previstas para o próximo mês.

 

Segundo David Spegel, chefe de estratégia de mercados emergentes do ING em Nova York, espera-se mais US$ 34 bilhões em emissões corporativas e outros US$ 25 bilhões em novos bônus de governos em 2010.

 

O rali dos Treasuries de sete e dez anos deu retorno de quase 14% até agora no ano, atraindo ampla atenção dos investidores. Mas os mercados da dívida emergentes praticamente se equiparam em desempenho. O índice de referência para bônus de governos Emerging Market Bond Index Global (Embig), do JPMorgan, subiu mais de 13%, enquanto o índice de bônus do mercado corporativo emergente do JPMorgan avançou mais de 11%.

 

Os mercados emergentes devem apresentar taxas de crescimento duas ou três vezes superiores às do mundo desenvolvido e praticamente não têm bolhas de dívidas. Com a posição cash dos fundos agora em seus níveis mais elevados desde outubro de 2009 - em cerca de 4,19% do total dos ativos, segundo a consultoria EPFR -, os gestores podem ser pressionados a realocarem os recursos.

 

As entradas líquidas nos fundos de bônus de mercados emergentes atingiram recordes de alta este ano, chegando a quase US$ 23 bilhões no acumulado desde janeiro, de acordo com a EPFR. Para muitos gestores, o fluxo deve continuar, à medida que os EUA e seus investidores começam a imitar o Japão, cujos investidores há tempo levam seus recursos para fora do país em busca de rendimentos maiores depois de sofrerem com grandes bolhas nos mercados de ações, imóveis e bônus, mesmo antes da mais recente crise.

 

"Se as taxas de juro nos EUA seguirem o que aconteceu no Japão, com baixo crescimento, a pressão do lado dos investidores vai continuar", disse Sara Zervos, gestor de carteira internacional do Oppenheimer, que está com foco em bônus corporativos de mercados emergentes até o fim do ano. Ela espera que as empresas nestes mercados cresçam mais do que as companhias norte-americanas.

 

A melhora na qualidade de crédito das economias emergentes também está levando os gestores a aumentarem as alocações, enquanto Europa e EUA sofrem com o aumento da dívida, que tem levado ao rebaixamento de vários ratings de crédito.

 

A Moody´s Investor Service disse nesta quinta-feira que a melhora mais rápida do que o antecipado no cenário macroeconômico em vários países da América Latina ajudou os emissores corporativos a melhorarem sua qualidade de crédito. A agência, juntamente com a Standard & Poor´s e a Fitch Ratings, elevou a classificação de vários ratings soberanos dos países emergentes nos últimos dois anos.

 

"Se sustentada, a melhora nas tendências de crédito deve favorecer um ambiente atraente para estreantes testarem os mercados de crédito, especialmente no Brasil, com os investidores buscando oportunidades atraentes de rendimento", disse Filipe Goossens, vice-presidente sênior da Moody´s, embora ele continue cauteloso por causa da contínua incerteza global. As informações são da Dow Jones.

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