Bônus de emergentes sobem com investidores comprando ativos de risco

Governo brasileiro levantou US$ 750 milhões na reabertura do bônus Global 2021

Álvaro Campos, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 18h39

Os preços dos bônus da dívida dos países emergentes subiram, com a redução dos receios sobre o crescimento global levando os gerentes de fundos a comprar. Os fundos de bônus dos mercados emergentes têm registrado entradas de capital recordes neste ano, de acordo com a EPFR Global, que monitora o mercado. Ainda assim, os problemas na Europa levaram os gerentes a esperarem antes de colocar esse dinheiro para trabalhar. Agora, com a divulgação dos resultados dos testes de estresse com bancos da Europa e a diminuição dos receios sobre o problema das dívidas soberanas da zona do euro, o dinheiro novo está fluindo.

 

O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), do JPMorgan, recuou 10 pontos-base, para 298 pontos-base sobre os Treasuries. O índice ganhou 0,06% em termos de preço. O bônus referencial do Brasil, o Global 2040, recuou 0,125 cent, para 136,5 cents por dólar, com alguns investidores realocando seus recursos em novos bônus.

 

A diminuição do spread entre os bônus de países em desenvolvimento e os equivalentes do Tesouro dos EUA levou o Brasil a reabrir sua emissão de bônus globais com vencimento em 2021 e também impulsionou diversas novas emissões corporativas. O spread do Brasil no Embig teve queda de 8 pontos-base, para 196 pontos-base sobre os Treasuries, enquanto o índice do país caiu 0,03%.

 

Hoje, o governo brasileiro levantou US$ 750 milhões na reabertura do bônus global 2021, com yield de 4,547%, o menor yield da história para uma dívida soberana do País. A demanda pelos bônus atingiu US$ 6 bilhões e ajudou o Brasil a aumentar o tamanho da oferta, que originalmente seria de US$ 500 milhões. A emissão acontece em um momento que os preços dos bônus brasileiros no mercado secundário, que se movem inversamente aos yields, têm atingido suas máximas.

 

Além disso, o rating de crédito do Uruguai foi elevado pela agência de classificação de risco Fitch para BB. Esse foi outro sinal da capacidade de resistência mostrada pelos mercados emergentes durante a crise financeira global, especialmente quando ainda existem dúvidas sobre os perfis de crédito de alguns países desenvolvidos.

 

O spread do Uruguai no Embig recuou 12 pontos-base, para 201 pontos-base sobre os Treasuries, e seu índice subiu 0,12% em termos de preço. A elevação da Fitch trouxe o rating do país para próximo do grau de investimento. A agência disse que o crescimento do PIB do Uruguai, de 5,5%, pode superar outros países com rating semelhante.

 

Vários países da América do Sul, entre eles Brasil, Chile e Peru, têm sido elogiados por agências de classificação nos últimos meses, já que foram menos afetados pela desaceleração econômica global do que países com economias mais desenvolvidas. Este mês, a Moody's colocou os ratings dos bônus soberanos do Uruguai sob revisão para elevação, dizendo que as projeções de crescimento permitem prever um desempenho econômico melhor do que o esperado.

 

A Argentina esteve entre os maiores ganhadores hoje. O spread do país no Embig diminuiu 16 pontos-base, para 706 pontos-base sobre os Treasuries. O índice subiu 0,90% em termos de preço. Apesar de rumores na imprensa, a Argentina não tem planos de oferecer um swap para os bônus Boden denominados em dólar que vencem em 2012, disse a presidente Cristina Kirchner nesta segunda-feira. "Nosso plano é reduzir a dívida."

 

O governo argentino deverá usar as reservas do Banco Central para pagar os US$ 2,2 bilhões em bônus que vencem no mês que vem, de acordo com notícias da imprensa local. Cristina destacou que as reservas atingiram o nível recorde de US$ 51,8 bilhões. O recorde anterior, de US$ 50,52 bilhões, era de março de 2008. As informações são da Dow Jones.

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