Bônus de emergentes têm leve alta em dia de novas emissões

Chile reentrou nos mercados internacionais de capital após quase seis anos

Álvaro Campos, da Agência Estado,

29 de julho de 2010 | 18h41

Os preços dos bônus dos países emergentes tiveram um leve ganho hoje, com uma alta nos yields dos títulos do Tesouro dos EUA estimulando outra série de novas emissões de dívida. O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), do JPMorgan, recuou 4 pontos-base, para 303 pontos-base sobre os Treasuries. O índice subiu 0,13% em termos de preço. O bônus referencial do Brasil, o Global 2040, ficou estável em 136,5625 cents por dólar.

 

O spread do Brasil no Embig diminuiu 4 pontos-base, para 201 pontos-base sobre os Treasuries, com o índice do país subindo 0,11%. Na ata da reunião de política monetária de julho, o Banco Central sugeriu que uma recuperação menor do que a esperada no futuro e uma inflação interna em queda tornaram menos urgente a necessidade de novos apertos monetários. Analistas disseram que a ata pode sinalizar uma pausa no ritmo do aumento da taxa básica de juros nas próximas reuniões, enquanto o BC avalia o vigor da recuperação atual e seu impacto nos preços.

 

Um apetite estável por bônus de maior risco e a diminuição do spread entre os títulos dos países emergentes e seus equivalentes do Tesouro dos EUA encorajou novas emissões de bônus hoje. A Turquia expandiu sua emissão de bônus globais para 2021 em mais US$ 1 bilhão, enquanto o banco russo Gazprombank vendeu US$ 500 milhões em bônus de quatro anos. O Chile reentrou nos mercados internacionais de capital após quase seis anos, com uma emissão dividida em duas partes, uma de US$ 1 bilhão em bônus de 10 anos denominados em dólar e outra de US$ 520 milhões em bônus denominados em pesos.

 

O spread da Turquia no Embig caiu 2 pontos-base, para 227 pontos-base sobre os Treasuries, e o índice do país recuou 0,04%. O spread do Chile recuou 1 ponto-base, para 134 pontos-base sobre os Treasuries, e seu índice avançou 0,02%.

 

Os bônus da Venezuela tiveram um dos melhores desempenhos do dia, recuperando-se de perdas recentes. O spread do país no Embig caiu 17 pontos-base, para 1.094 pontos-base sobre os Treasuries, e o índice subiu 0,85%. Os investidores podem estar mudando sua visão sobre o efeito de novos bônus venezuelanos. Alguns acreditavam que novas emissões fariam a oferta ficar exagerada, mas o RBS diz que isso é um erro. Devido às mudanças recentes no mercado local de câmbio, "qualquer nova oferta somente reporia o estoque existente, fornecendo uma entrada lenta de bônus no mercado de câmbio, no ambiente atual de volumes baixos de negócios", disse Siobhan Morden, analista do RBS. Ela espera que as emissões de bônus da Venezuela coincidam com o vencimento de US$ 1,5 bilhão em eurobônus no mês que vêm.

 

O spread da Ucrânia recuou 6 pontos-base, para 494 pontos-base sobre os Treasuries, com o índice do país ganhando 0,23%. Hoje a Ucrânia garantiu um acordo de crédito com o FMI equivalente a mais de 11% de seu PIB. A primeira parcela, de US$ 1,9 bilhão, será liberada imediatamente. Analistas dizem que isso poderá fazer com que a agência de classificação de crédito Standard & Poor's eleve o rating do país, que talvez ainda possa acessar recursos adicionais da Comissão Europeia.

 

O spread do Vietnã recuou 1 ponto-base, para 261 pontos-base sobre os Treasuries, com o índice do pais subindo 0,02%. Hoje, a agência Fitch rebaixou o rating da dívida em moeda estrangeira do país para B+, de BB-, citando uma deterioração nas finanças do Vietnã e um sistema bancário mais vulnerável a estresses sistêmicos. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
bônusemergentesChileemissão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.