Bônus emergentes avançam com baixo volume

Prêmio de risco do Embig caiu 10 pontos-base, indo a 349 pontos-base sobre os Treasuries

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 08h31

Os títulos da dívida dos países emergentes avançaram, mas o baixo volume e o declínio no

mercado norte-americano de ações sugerem que os investidores continuam hesitantes quanto à compra de ativos de risco mais elevado. Os temores de que a crise da dívida e os problemas fiscais na periferia da zona do euro prejudiquem as perspectivas de crescimento econômico da região continuam a pesar sobre os mercados.

 

"Novas emissões não estão ocorrendo e o mercado de ações não está mostrando motivos para se ficar contente", disse um trader do mercado de dívidas em Nova York. O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), elaborado pelo JPMorgan, caía 10 pontos-base, indo a 349 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde de ontem. Em termos de preço, o índice estava ligeiramente positivo.

 

Ainda assim, no geral, os yields dos bônus recuaram a níveis vistos pela última vez em meados de setembro de 2009 e traders e investidores acreditam que o dinheiro não deve demorar a voltar a esse mercado.

 

Os bônus da Ucrânia tiveram o melhor desempenho desta segunda-feira. O spread do país no Embig caiu 64 pontos-base, indo a 656 pontos-base sobre os títulos do Tesouro norte-americano, e subindo 1,5% em termos de preço. Os títulos ucranianos ainda estão capitalizando a elevação do rating de crédito do país pela Standard & Poor's, na semana passada.

 

Ao mesmo tempo, os títulos da Argentina e da Venezuela recuavam em termos de preço. Estrategistas do Royal Bank of Scotland acreditam que a estagflação e a deterioração da situação fiscal venezuelana sejam indícios de que a economia pode se retrair este ano. O banco projeta um declínio de 4,5% do produto interno bruto (PIB) venezuelano em 2010. A estimativa anterior era de contração de 3%. O RBS também elevou de 30% para 35% sua projeção anual de inflação para o país sul-americano.

 

Enquanto isso, os participantes do mercado estão em busca de pistas sobre como e quando ocorreria um aperto monetário em escala mais ampla no mundo, especialmente nas economias mais desenvolvidas e na China. O presidente chinês, Hu Jintao, disse, ao receber uma delegação do governo norte-americano, que seu governo trabalhará no sentido de uma reforma no sistema de câmbio.

 

Muitos observadores do mercado e formuladores de política acusam a China de manipulação cambial e de manter sua taxa de câmbio artificialmente fraca para dar mais competitividade a suas exportações. O efeito de eventuais mudanças no câmbio chinês frequenta há meses a lista de temores dos mercados financeiros globais.

 

Por sua vez, o desempenho dos bônus brasileiros denominados em dólares não foi afetado por um terremoto de magnitude 6,5 que atingiu o interior do Acre nesta segunda-feira. Não houve danos nem vítimas. As informações são da Dow Jones.

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