Bônus emergentes caem sem liquidez à espera de Grécia

Ministros das Finanças da zona do euro se reunem no domingo para discutir pacote de ajuda

RicardoGozzi, da Agência Estado,

30 de abril de 2010 | 17h58

Os títulos da dívida dos países emergentes perderam um pouco de terreno com a baixa nos mercados de ações nos Estados Unidos, mas tiveram pouca movimentação na sessão de hoje, com os investidores à espera do resultado das negociações da Grécia com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um pacote de ajuda financeira ao país.

Os ministros das Finanças da zona do euro deverão se reunir no domingo em Bruxelas para discutir um pacote de ajuda à Grécia. Enquanto isso, o mercado teve um dia de apreensão com a notícia sobre a abertura de uma investigação criminal sobre os negócios do Goldman Sachs.

"Apesar do aumento dos temores com relação à zona do euro, ainda não estamos detectando nenhuma espécie de pânico de vendas nos mercados emergentes e os investidores ainda parecem levar em alta conta esses mercados", disseram analistas do RBC.

O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), elaborado pelo JPMorgan, aumentou dois pontos-base, para 268 pontos-base sobre os Treasuries durante a tarde. O índice geral caía 0,24% no dia. O bônus de referência Global 2040 do Brasil mostrava-se estável, sendo cotado a 133,75 cents em Nova York.

Uma das piores performances do dia foi a da Argentina. O spread argentino mostrava-se estável em 644 pontos-base sobre os títulos do Tesouro norte-americano, mas o índice do país caía 1,78%.

O governo argentino autorizou formalmente a abertura, prevista para a segunda-feira, de sua esperada oferta de swap de uma dívida de bilhões de dólares em default. Autoridades locais têm a esperança de que o swap ajude a restabelecer o acesso do país aos mercados globais, assim como suas relações com a comunidade financeira internacional.

Em um sinal do que pode estar por vir, hoje a segunda maior produtora de gás e petróleo da Argentina, a Pan American Energy, emitiu US$ 500 milhões em bônus com vencimento médio de dez anos e yield de 8,125%, segundo documento fornecido por gestor de fundo. Trata-se da primeira captação do gênero por parte de uma empresa argentina desde 2006.

Por sua vez, a Venezuela viu seu spread aumentar 17 pontos-base, alcançando 876 pontos-base sobre os Treasuries, com o índice do país caindo 1,68%. Boris Segura, um economista da RBS, especula que a Venezuela terá de emitir algum novo título denominado em dólares e pagável em bolívares depois de as reservas do país terem caído 8% este ano, o que deixa o Banco Central com menos munição para intervir no mercado de câmbio.

A Polônia também continua em queda. O prêmio de risco do país aumentou 23 pontos-base, chegando a 143 pontos-base sobre os Treasuries. O índice da Polônia caiu 0,60%. Os títulos da dívida polonesa estão sob pressão desde o acidente aéreo no qual morreram o presidente do país e diversos integrantes do alto escalão do governo, além do presidente do BC local, no último dia 10.

O spread da República Dominicana aumentou 30 pontos-base, indo a 366 pontos-base sobre os Treasuries apenas um dia depois de o governo ter captado US$ 750 milhões em títulos de 11 anos com yield de 7,5%. O índice do país caiu 0,84%. Segundo avaliação divulgada hoje pela agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings, o país centro-americano está vulnerável a choques externos por possuir uma "fraca posição de liquidez".

A Ucrânia, enquanto isso, teve bom desempenho. O spread do país caiu 31 pontos-base, indo a 481 sobre os Treasuries, e seu índice avançou 0,30%. Hoje, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, propôs uma fusão da gigante estatal OAO Gazprom com a companhia nacional ucraniana Naftogaz, numa oferta inesperada que poderia representar um novo grau de cooperação entre os dois países. As informações são da Dow Jones.

 

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