Bônus emergentes fecharam estáveis

 Prêmio de risco do Embig estava em 253 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

23 de abril de 2010 | 09h10

Os títulos da dívida dos países emergentes fecharam estáveis ontem, em um dia de sessão mista nos mercados norte-americanos de ações. O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), elaborado pelo JPMorgan, estava em 253 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde. O índice caiu 0,30% no dia. O bônus de referência Global 2040 do Brasil perdeu 0,125 cent, ficando em 134,75 cents em Nova York.

 

Enquanto os créditos de maior peso mostraram pouca oscilação, a República Dominicana teve performance acima da média. Os bônus dominicanos diminuíram em 11 pontos-base seu spread sobre os Treasuries, ficando em 333 pontos-base, com o índice do país avançando 0,37%. A agência de classificação de risco de crédito Moody's elevou de B2 para B1 os ratings dos títulos do governo da República Dominicana.

 

"Apesar de se tratar de uma pequena economia aberta muito vinculada aos Estados Unidos, a República Dominicana demonstrou um nível de resistência econômica e financeira a choques externos maior do que o esperado", comentou Mauro Leos, do Grupo de Risco Soberano Moody's. "Como resultado, a Moody's reposicionou os ratings soberanos do país, apesar de eles continuarem na parte de baixo da escala de rating no momento."

 

Os títulos da dívida do país já apresentavam um bom desempenho antes mesmo da elevação, depois de o Barclays Capital ter afirmado na noite de ontem em relatório que a República Dominica está entre seus ativos preferidos (top picks).

 

O Brasil ficou estável no dia, em 177 pontos-base sobre os Treasuries, mas o índice do País caiu 0,23%. Hoje, o ministro da Fazenda Guido Mantega rejeitou a noção de que a economia brasileira esteja "superaquecendo", apesar do forte crescimento e negou que o País esteja vivendo uma inflação alimentada pela demanda. "Não identifico inflação de demanda no Brasil. A economia está aquecida, mas não superaquecida. E é preciso parar com essa paranoia de ter de subir juros. Nós vamos conseguir cumprir a meta de inflação em 2010 e 2011", afirmou o ministro à Agência Estado, ao sair de uma reunião com o secretario do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, em Washington.

 

Entretanto, a inflação brasileira está acima de 5%, o que alimenta temores de um cenário de aquecimento excessivo. Especula-se que o Banco Central do Brasil iniciará ainda este mês um ciclo de elevação de taxa de juro no qual a taxa Selic iria dos atuais 8,75% para cerca de 11,5% até o fim do próximo ano.

 

Enquanto isso, o spread da Rússia ampliou-se três pontos-base, ficando em 157 pontos-base sobre os Treasuries, com o índice do país caindo 0,52%. Em uma das mais esperadas emissões do ano, a Rússia vendeu hoje US$ 2 bilhões em títulos de cinco anos e US$ 3,5 bilhões em bônus de dez anos. Esta foi a primeira emissão soberana da Rússia em 12 anos. O yield pago foi o mais baixo de sua história. As informações são da Dow Jones.

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