Bônus emergentes ficam estáveis com cautela no mercado

Ampla oferta de dinheiro e a demanda saudável estão impulsionando emissores no mercados de capital internacional

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

19 de março de 2010 | 08h32

Os bônus da dívida dos países emergentes ficaram praticamente inalterados, em linha com o movimento das bolsas. Os investidores estavam cautelosos diante das preocupações de que o potencial pacote de ajuda da União Europeia para a Grécia pode não se materializar. Houve também a especulação de que o Federal Reserve poderia aumentar a sua taxa de redesconto - o juro cobrado sobre os empréstimos de emergência para bancos comerciais.

 

Contudo, com os bancos centrais sinalizando esta semana que a política monetária permanecerá frouxa no curto prazo, há poucos indícios de que a enorme quantidade de dinheiro que está entrando no mercado de dívida emergente possa secar em breve.

 

O livre fluxo de capital graças às baixas taxas de juros históricas ao redor do mundo impulsionaram as dívidas dos mercados emergentes ao longo do ano passado, com os investidores comprando rapidamente os bônus com altos yields (taxa de retorno).

 

No Brasil, o Banco Central decidiu, por 5 votos a favor e 3 contra, manter a taxa de juros inalterada na quarta-feira. A Turquia também deixou a taxa de juros do país sem alterações. As decisões ocorreram após o Fed prometer que manteria as taxas de juros perto de zero por "um período prolongado". A expectativa do mercado é que o BC do México também deixe as taxas de juros nos atuais níveis na sua reunião de política monetária nesta sexta-feira.

 

A ampla oferta de dinheiro e a demanda saudável estão impulsionando os emissores no mercados de capital internacional. Um dia depois de membros do governo da Rússia anunciarem que farão sua primeira emissão de dívida soberana em mais de uma década, a Argentina sinalizou também que planeja se juntar ao fluxo de emissões em breve.

 

O governo argentino anexou mais documentos aos que já tinha registrado na Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos EUA), como parte da sua oferta de swap de até US$ 15 bilhões em títulos da dívida. O movimento indica que há "uma chance enorme de que a SEC irá dar o seu aval em poucos dias" para a oferta, disse Alberto Bernal, chefe de pesquisa da Bulltick Capital Markets.

 

Os bônus da Argentina subiram com as notícias, superando outros títulos do mundo em desenvolvimento. O prêmio de risco do país caiu 28 pontos-base, para 677 pontos-base, sobre os Treasuries, com um ganho de 1,98%.

 

Em outra parte, o dinheiro foi para os títulos com maiores yields como o da Venezuela, cujo spread recuou 22 pontos-base, para 850 pontos-base, sobre os Treasuries com uma alta de 0,75% no dia.

 

Enquanto isso, as empresas continuam a captar dinheiro nos mercados de capitais com facilidade. O banco BES Investimento do Brasil, a unidade brasileira do Banco Espírito Santo de Portugal, vendeu US$ 500 milhões em títulos de 5 anos com um yield de 5,875%.

 

O National Bank of Abu Dhabi, o maior bancos do Emirado em capitalização de mercado, vendeu US$ 750 milhões em bônus de 5 anos com um yield de 4,25%. As informações são da Dow Jones.

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