Bônus emergentes ficam estáveis, resistindo a discurso de Bernanke

Os bônus dos mercados emergentes ficaram estáveis hoje, conseguindo resistir à queda registrada pelas bolsas norte-americanas após o depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no Congresso dos EUA. No depoimento semestral sobre política monetária, Bernanke sinalizou que o banco central não deve adotar medidas para impulsionar a economia, apesar de uma "perspectiva um tanto mais fraca" para o crescimento.

Álvaro Campos, da Agência Estado,

21 de julho de 2010 | 18h52

 

O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), do JPMorgan, ficou estável em 331 pontos-base sobre os Treasuries. O índice subiu 0,17% em termos de preço. O bônus referencial do Brasil, o Global 2040, ganhou 0,3125 cent, a 136,25 cents por dólar.

 

O spread do Brasil no Embig subiu cinco pontos-base, para 225 pontos-base sobre os Treasuries, com o índice caindo 0,02%, antecedendo a reunião de política monetária do Banco Central.

 

O spread do México, cuja economia é fortemente ligada aos EUA, subiu quatro pontos-base, para 204 pontos-base sobre os Treasuries, e seu índice recuou 0,18%. Mas os dados sobre as vendas no varejo em maio mostraram o ritmo mais rápido de crescimento em dois anos, com uma alta de 5% em relação a maio de 2009 e de 0,73% na comparação com abril, em termos sazonalmente ajustados.

 

Enquanto isso, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) da região deve crescer 5,2% em 2010, acima da estimativa anterior de 4,1%. Mas o crescimento deve desacelerar em 2011 para 3,8%, devido à volatilidade na economia global.

 

O spread da Hungria no Embig ficou inalterado em 370 pontos-base sobre os Treasuries, após conseguir reduzir as perdas registradas mais cedo, com o índice do país subindo 0,31%. Alguns investidores ficaram assustados com os comentários do primeiro-ministro, Viktor Orban, que afirmou que a Hungria vai preparar seu Orçamento para o ano que vem sem consultar o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas espera receber um financiamento da União Europeia.

 

"Isso é um erro tático", disse Win Thin, estrategista do Brown Brothers Harriman. "Nós acreditamos que ele (Orban) está errado se acha que a UE vai dar a Hungria qualquer dinheiro sem a aprovação do FMI". Entretanto, analistas do JPMorgan esperam que as diferenças sejam resolvidas e que o país chegue a um acordo com o FMI após as eleições locais de outubro.

 

Outros bônus tiveram uma performance forte no dia. O spread da Rússia caiu cinco pontos-base, para 269 pontos-base sobre os Treasuries, enquanto o índice do país subiu 0,53%. O ministro das Finanças da Rússia anunciou que está tentando levantar 1 trilhão de rublos (US$ 33 bilhões) para o Orçamento federal nos próximos três anos, em parte ao aumentar os impostos para o petróleo, gás e cobre. O governo disse que vai aumentar os impostos sobre a extração de gás natural em 61%, um golpe para a indústria, que é ligada ao Kremlin, e para a OAO Gazprom, maior produtora mundial de gás.

 

O spread da Ucrânia caiu 43 pontos-base, para 534 pontos-base sobre os Treasuries, e seu índice avançou 1,22%. Os investidores têm comprado os bônus ucranianos, já que o país está mais perto de conseguir um novo financiamento do FMI. O último sinal dessa previsão foi o cancelamento de um bônus global que seria emitido na semana passada, com o governo dizendo que tem "outras fontes imediatas de financiamento".

 

A Argentina também teve um bom desempenho, com seu spread recuando cinco pontos-base, para 758 pontos-base sobre os Treasuries, embora seu índice tenha caído 0,32%. Analistas estão observando atentamente o yield do bônus Global 2017 da Argentina, com uma quase certeza de que o governo deve acessar o mercado uma vez que o yield cair abaixo de 10%. O 2017 é precificado atualmente em 364 pesos argentinos no mercado local, com um yield de 10,87%. As informações são da Dow Jones.

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