Bônus emergentes recuam com temor sobre situação na Europa

Prêmio de risco do Embig estreitou cinco pontos-base, ficando em 267 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde de ontem

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

29 de abril de 2010 | 08h07

Os títulos da dívida de países emergentes recuperaram um pouco de terreno sobre os Treasuries norte-americanos, ontem, mas continuam sobre pressão pela cautela dos investidores com relação aos bônus soberanos da periferia da zona do euro.

 

Um dia depois de cortar os ratings de Portugal e Grécia, provocando ondas de aversão ao risco nos mercados financeiros, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou, ontem, a nota de crédito soberano de longo prazo da Espanha de AA+ para AA, com perspectiva negativa.

 

Os problemas fiscais desses países estiveram sob o foco do mercado durante meses, mas os investidores tornaram-se cada vez mais receosos no decorrer da última semana, enquanto esperavam para ver se e quando a União Europeia (UE) oferecerá ajuda financeira à Grécia.

 

O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), elaborado pelo JPMorgan, estreitou-se cinco pontos-base, ficando em 267 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde. Ainda assim, o Embig caiu 0,39%, com a queda nos preços dos bônus.

 

Os temores de um contágio a partir da periferia da zona do euro pesaram particularmente sobre os créditos da Europa emergente. Os bônus de Polônia, Rússia, Ucrânia e Bulgária continuaram a ser vendidos. Os títulos poloneses representaram o grosso da queda, com o spread do país aumentando 26 pontos-base e seu índice caindo 1,6% no Embig.

 

Há também temores de que as preocupações com a Europa possam pesar sobre o esperado swap da dívida argentina. "Nós definitivamente não podemos descartar a possibilidade de um contágio mais grave da Grécia adiar ainda mais a oferta argentina", escreveram estrategistas do RBS em nota a clientes. O valor da oferta já caiu de cerca de 52 cents para aproximadamente 49 cents desde a revelação dos termos da oferta, há duas semanas, observou o RBS.

 

Os investidores mantiveram-se na defensiva apesar de o Federal Reserve ter anunciado ontem a decisão de manter suas taxas básicas de juro inalteradas, próximas de zero. Enquanto isso, o mercado aguardava o resultado da reunião do Conselho de Política Monetária do Banco Central do Brasil. As informações são da Dow Jones.

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