Bônus emergentes se fortalecem liderados por Ucrânia

Spread de risco da Ucrânia caiu 63 pontos-base para 800 pontos-base sobre os Treasuries, com um ganho de 1,76%.

André Lachini, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2010 | 08h20

Os bônus das dívidas dos países emergentes, ontem, se fortaleceram em Nova York sobre os Treasuries, diante do desempenho melhor do que o esperado dos créditos de maior risco. A Ucrânia e a Lituânia colaboraram para a queda de 4 pontos-base do spread de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig) do JPMorgan para 306 pontos-base sobre os Treasuries, com um ganho de 0,8% no dia.

 

Em Nova York, o Global40 - principal título da dívida externa brasileira - subiu 0,0625 para 133,1875 cents (preço de oferta). No entanto, o volume negociado foi muito pequeno, uma vez que os mercados em geral permanecem cautelosos tendo em vista a volatilidade observada no mês. "Eu acho que os investidores ficarão fora do mercado pelas próximas duas semanas. Eles

ficaram nervosos pelas coisas que aconteceram com a Grécia e também com o que está acontecendo no Federal Reserve" disse um trader em Nova York.

 

O spread de risco da Ucrânia caiu 63 pontos-base para 800 pontos-base sobre os Treasuries, com um ganho de 1,76%. Isso aconteceu após a primeira-ministra Yulia Tymoshenko retirar sua contestação ao resultado das eleições presidenciais, abrindo o caminho para uma vitória clara de Viktor Yanukovych. Os investidores agora esperam que uma coalizão de governo dê a

maioria no Parlamento a Yanukovych.

 

A Ucrânia, junto com Venezuela e Paquistão, é um dos três países com dívidas soberanas que contam com economia relativamente grande e bônus que rendem um retorno de mais de 10% e que não caíram recentemente em moratória, disse David Aserkoff, estrategista na Exotix, uma corretora em Londres especializada em ativos sem liquidez. Dos três, "a Ucrânia tem a maior chance de dar enormes saltos durante os próximos três meses a três anos" ele disse.

 

Os comentários recentes do FMI também têm beneficiado a Ucrânia. Na semana passada, o Fundo disse que o país "tem reservas internacionais suficientes para manter os pagamentos de todas as obrigações externas, incluídas as do gás".

 

Já o spread de risco da Lituânia recuou 45 pontos-base para 332 pontos-base sobre os Treasuries, com um ganho de 1,98%, também em meio a expectativas econômicas mais fortes e após o sucesso da venda de US$ 2 bilhões em bônus de dez anos, no começo deste mês. O spread de risco da Venezuela caiu 14 pontos-base, a 969 pontos-base sobre os Treasuries, com um ganho de 0,21%.

 

O spread do México ficou estável no Embig, a 195 pontos-base sobre os Treasuries, com uma queda de 0,13% no índice. O México informou uma expansão de 2,03% no PIB no quarto trimestre de 2009, sobre o terceiro trimestre, em termos ajustados sazonalmente e não anualizados, mas com uma queda de 2,3% sobre igual período do ano anterior.

 

Analistas da Capital Economics notaram que a recuperação mexicana tem sido em grande parte liderada pela produção de veículos, que pode ter sido inflada pelo programa "Dinheiro por Sucata" nos Estados Unidos. "Quando a demanda ao norte da fronteira começar a cair, esperamos que o crescimento do PIB mexicano desacelere de cerca de 3,5% neste ano para 1,5% em 2011", disse a capital Economics.

 

Na Argentina, a agência nacional de estatísticas informou que o desemprego caiu no quarto trimestre de 2009, para 8,4% da força de trabalho, de 9,1% no terceiro trimestre. Um outro relatório informou que a Argentina está no caminho de produzir uma safra recorde de soja nesta estação. O spread de risco da Argentina caiu 5 pontos-base, para 777 pontos-base sobre os

Treasuries, com recuo de 0,55% no índice. As informações são da Dow Jones.

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