Bônus emergentes se recuperam com depoimento de Bernanke

 Spread de risco do Embig do JPMorgan caiu 6 pontos-base, para 314 pontos-base sobre os Treasuries

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 08h33

Os bônus da dívida dos países emergentes se recuperaram sobre os Treasuries em Nova York, junto com outros ativos sensíveis ao risco - incluindo as bolsas dos EUA -, depois que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, reiterou que as taxas de juros permanecerão em níveis baixos históricos nos EUA. No depoimento semestral para o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, Bernanke disse que os membros do Fed esperam que a principal taxa de juro de curto prazo do banco central permaneça próxima a zero pelos próximos meses.

 

O spread de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig) do JPMorgan caiu 6 pontos-base, para 314 pontos-base sobre os Treasuries, com uma alta de 0,22% no dia. "O mercado ainda não está tão líquido como nós gostaríamos, mas parece que as pessoas estão voltando a procurar risco", afirmou um trader de Nova York. "No geral, as coisas estão

melhorando através de todas as classes de ativos."

 

Segundo ele, os investidores estão particularmente atraídos pelas dívidas que registraram um desempenho inferior ao do mercado recentemente, tais como as da Colômbia. O spread de risco do país no Embig recuou 18 pontos-base, para 222 pontos-base sobre os Treasuries, com um ganho de 0,64%.

 

Os bônus das dívida argentina subiram, recuperando-se das perdas sofridas na terça-feira. Os investidores comemoraram a decisão de um tribunal de apelações do país que rejeitou o pedido da presidente Cristina Kirchner para transferir parte das reservas do banco central argentino para o Tesouro para o pagamento de dívidas.

 

As preocupações sobre a possível saída do ministro da economia, Amado Boudou, foram colocadas de lado depois de o governo argentino afirmar que os rumores foram iniciados por especuladores tentando desestabilizar os mercados financeiros. O spread de risco da Argentina no Embig recuou 19 pontos-base, para 807 pontos-base sobre os Treasuries, com alta de

2,38%.

 

No Brasil, os dados da confiança do consumidor e do crédito vieram mais fracos do que o esperado, sinalizando que a recuperação ainda pode ter alguns problemas. O spread de risco do Brasil no Embig recuou 5 pontos-base, para 213 pontos-base sobre os Treasuries, com ganho de 0,31%.

 

A agência Fitch Ratings divulgou nesta quarta-feira um relatório, afirmando que a classificação do crédito do Brasil estava estável em BBB-, e ela que não superaria o rating BBB do México, apesar da forte recuperação apresentada pela economia brasileira.

 

Em quanto isso, o Instituto Nacional de Estatísticas do México disse que a economia do país encolheu em 2,5% em termos nominais de peso em 2009, mas registrou expansão em termos de dólar. O spread de risco do México no Embig recuou 7 pontos-base, para 197 pontos-base sobre os Treasuries, com alta de 0,17%.

 

Na Turquia, o presidente Abdullah Gul anunciou que está mediando conversações entre o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e o chefe do Estado-Maior, o general Ilker Basbug, depois da prisão de dezenas de militares numa suposta tentativa de golpe, disse um funcionário da presidência.

 

Os bônus globais do país foram pouco afetados pela notícia, apesar de ficarem em baixa durante o dia. O spread de risco da Turquia no Embig abriu 4 pontos-base, para 242 pontos-base sobre os Treasuries, com perda de 0,48%. Os títulos locais e as moedas são geralmente mais vulneráveis aos desdobramentos políticos. Além disso, o dólar alcançou sua cotação mais alta ante a lira turca desde a última primavera, para 1,5576 liras turcas por dólar.

 

A Ucrânia continuou a ganhar força, depois da recente eleição presidencial. O spread de risco do país no Embig diminuiu em 18 pontos-base, para 798 pontos-base sobre os Treasuries. As informações são da Dow Jones.

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