Bônus emergentes têm leve ganhos

Incerteza sobre negociações da Grécia com UE e o FMI manteve os investidores distantes de ativos arriscados

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

27 de abril de 2010 | 08h06

Os títulos da dívida dos países emergentes ganharam um pouco de terreno ante os Treasuries norte-americanos, ontem, mas os ganhos foram contidos pelos temores com relação à Grécia. A incerteza quanto ao resultado das negociações da Grécia com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve os investidores distantes de ativos mais arriscados, como os títulos da dívida dos países em desenvolvimento.

 

Durante entrevista coletiva concedida em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, comentou que a ajuda financeira à Grécia será liberada somente se for absolutamente necessária e que um eventual acordo de resgate precisa ter bases sólidas. Mais cedo, os yields dos bônus gregos e os custos de proteção a um eventual calote subiram acentuadamente em meio a crescente temores com relação a quanto tempo levaria para que a Grécia obtivesse acesso ao pacote de resgate financeiro da UE e do FMI.

 

Ainda assim, Merkel deixou a questão do cronograma aberta a discussões depois de dizer que as negociações sobre as condições e outros detalhes da ajuda poderiam estender-se até o início de maio. "Essa é a primeira coisa que vem à cabeça de todo o mundo", declarou F. Erich Bauer-Rowe, chefe de operações com dívidas de mercados emergentes na Jefferies.

 

O prêmio de risco do Emerging Markets Bond Index Global (Embig), elaborado pelo JPMorgan, estava em 251 pontos-base sobre os Treasuries no fim da tarde, caindo apenas 1 ponto-base em relação a sexta-feira, enquanto o índice caiu 0,03% no dia.

 

A Argentina teve boa performance depois de um juiz norte-americano ter rejeitado uma ação por meio da qual detentores de títulos argentinos tentam impedir na Justiça uma reestruturação de dívida de US$ 20 bilhões. O país está tentando um acordo com detentores de títulos em default enquanto busca recuperar acesso aos mercados internacionais de capitais.

 

"O mercado parece acreditar que essa reestruturação terá êxito", comentou Bauer-Rowe. "Nós acreditamos que isso irá adiante possivelmente dentro de algumas semanas ou nos próximos dois meses." O spread da Argentina caiu 15 pontos-base no Embig, ficando em 623 pontos-base sobre os títulos do Tesouro norte-americano. O índice do país avançou 1,36%.

 

Os bônus brasileiros também avançaram. Em Nova York, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, declarou que o País continua aberto a investimentos estrangeiros. No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil não toleraria desequilíbrios cambiais e buscaria relações mais sólidas com os demais integrantes do bloco conhecido como países Bric, integrado, por Brasil, Rússia, Índia e China. As informações são da Dow Jones.

 

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