Bônus emergentes têm queda

Prêmio de risco medido pelo Embig subiu 21 pontos-base, para 352 pontos-base sobre os Treasuries

Álvaro Campos, da Agência Estado,

21 de maio de 2010 | 08h25

Os ativos dos mercados emergentes sofreram uma onda de venda quase generalizada nesta quinta-feira, com os investidores abandonando posições de maior risco, receosos de que a economia global possa voltar a mergulhar na recessão.

 

Até agora, os ativos dos mercados emergentes permaneciam razoavelmente resistentes ao estresse dos mercados globais. Mas os investidores estão mudando para os chamados portos seguros, como o dólar e os Treasuries dos Estados Unidos. Eles estão assustados com a crise fiscal na Europa e com as medidas das autoridades da Alemanha contra certas estratégias de transação, como as vendas a descoberto (short-selling), que ameaçam implantar regulamentações mais pesadas. Com o iminente aperto monetário na China, que tem guiado o crescimento da economia global, os investidores estão cada vez mais nervosos.

 

O movimento para fora dos mercados emergentes acontece mesmo com as economias desses países superando o desempenho do mundo industrializado neste ano. Por exemplo, o México divulgou nesta quinta-feira um crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) acima do esperado no primeiro trimestre, com expansão de 4,3% em comparação com 2009. Mas a sua economia, junto com a maioria dos mercados emergentes, é muito ligada aos maiores consumidores do mundo, como os Estados Unidos, que nesta quinta-feira divulgou um aumento maior do que o esperado nos pedidos semanais de auxílio-desemprego.

 

Uma recuperação em curto prazo é provável após essas perdas, dizem os traders, mas muitos estão se preparando para uma correção do mercado de longo prazo.

 

Um índice-chave de risco das dívidas soberanas subiu nesta terça-feira para o seu nível mais alto sobre os Treasuries dos EUA desde meados de setembro. O prêmio de risco medido pelo Emerging Markets Bond Index Global (Embig), calculado pelo JPMorgan, subiu 21 pontos-base, para 352 pontos-base sobre os Treasuries. O índice caiu 1,01% no dia.

 

A Argentina foi o país que mais perdeu nesta quinta-feira, com seu Embig subindo 64 pontos-base, para 846 pontos-base acima dos Treasuries. O índice caiu 5,14%. A Venezuela também foi fortemente atingida, com uma elevação de 49 pontos-base, para 1.210 pontos-base sobre os Treasuries. O índice fechou em queda de 3,25%.

 

Enquanto a incerteza global foi o que mais influenciou os mercados nesta quinta-feira, algumas notícias locais pioraram o sentimento. Os investidores estão fugindo dos ativos da Venezuela depois que o governo proibiu as transações de câmbio no mercado paralelo, em um esforço de tentar controlar a taxa de câmbio.

 

O Goldman Sachs espera que o panorama macro da Venezuela "continue a se deteriorar e a solvência continue a enfraquecer", alertando para um possível rebaixamento da classificação de crédito do país. Analistas dizem que as autoridades talvez tenham de comprometer as reservas do banco central ou emitir uma quantia considerável de dívida denominada em dólar para estabilizar o mercado de câmbio.

 

O real do Brasil também caiu, para seu nível mais baixo desde agosto de 2009. As crescentes taxas de juros no país, assim como em outras nações da América Latina, não são mais suficientes para servir de atrativo para investidores que procuram por rendimentos mais altos, em comparação com os rendimentos de títulos de países que historicamente têm taxas de juros mais baixas. É por isso que o mercado reverteu as expectativas para os países de taxas mais altas, com a possibilidade de os problemas da Europa afetarem o crescimento global.

 

O declínio nos preços das commodities está intensificando a corrida para a venda das dívidas de mercados emergentes, já que muitas das grandes economias desses mercados dependem de suas exportações de matérias-primas.

 

O índice de ADRs de mercados emergentes elaborado pelo Bank of New York Mellon caiu 4,3%, chegando ao nível do começo de setembro de 2009, com o Brazil e o Peru liderando as perdas. As informações são da Dow Jones.

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