Bônus gregos caem com temor sobre acesso ao mercado

Após o entusiasmo com o resultado da emissão de ontem, investidores se preocupam com o futuro

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 12h01

O fraco desempenho dos bônus da Grécia nesta manhã impôs certa cautela aos mercados, especialmente ao de câmbio, minimizando o entusiasmo inicial com que os investidores receberam a emissão de ontem de 5 bilhões em bônus gregos de sete anos e a promessa de um socorro conjunto da União Europeia e do FMI ao país. Os bônus do governo grego cedem à medida que os investidores questionam a capacidade da Grécia voltar ao mercado de capitais, depois de a colocação de ontem não ter conseguido atrair o mesmo interesse de emissões anteriores. Também, o governo precisou pagar um preço maior para conseguir fechar o "livro" onde investidores expressam interesse pela operação.

 

"Foi desfavorável o fato de o livro de ordens não ter sido tão elevado como nas operações anteriores e também o fato de o número de investidores ter diminuído expressivamente", disse o estrategista do Commerzbank em Frankfurt, David Schnautz.

 

A Grécia esperava que o custo de suas captações caísse após a União Europeia ter costurado um plano para prestar assistência financeira ao país com a ajuda do FMI. Mas estrategistas avaliam que o plano de apoio não oferece detalhes sobre o momento e o método para sua ativação caso a Grécia não consiga captar recursos no mercado.

 

Às 11h36 (de Brasília), o euro caía para US$ 1,3432, depois de atingir uma máxima intraday de US$ 1,3538 no começo do dia. Ontem, a moeda europeia operava em US$ 1,3475 no fim da tarde em Nova York. 

 

Hoje, inesperadamente, a Agência de Administração da Dívida Pública da Grécia (AADP), convocou um leilão de bônus locais, o primeiro desde novembro de 2008, para vender até 1 bilhão de euros em títulos com rendimento de 5,90% e vencimento em outubro de 2022, visando "atender deslocamentos técnicos nesse ponto da curva (dos bônus do governo da Grécia". No entanto, o governo vendeu apenas 390 milhões de euros desses títulos antigos, com vencimento original de 20 anos.

 

"Acredito que relançaram os bônus de 20 anos para corrigir um problema na curva que os preocupava um pouco, portanto, embora a operação tenha sido inesperada não chocou o mercado", disse o diretor de uma mesa de operação local. "Eles querem facilitar as operações do mercado e adicionar liquidez a este bônus em particular", acrescentou.

 

O analista da Nordea, em Helsinque, Jan von Gerich, disse que o leilão foi um "movimento sábio", considerando que os bônus com vencimento em outubro de 2022 operam com um rendimento "notadamente" inferior aos bônus de referência de 10 anos. Os bônus com vencimento em outubro de 2022 têm rendimento próximo de 5,960%, enquanto os bônus de referência de 10 anos, com vencimento em junho de 2020, rendem 6,46%.

 

Paralelamente, o diretor da AADP, Petros Christodolou, afirmou que a agência irá conduzir leilões de bills em 13 de abril e 20 de abril, mas não detalhou os volumes.

 

O spread entre os bônus de 10 anos da Grécia e bônus equivalentes da Alemanha disparou para 3,35 pontos porcentuais antes do anúncio do leilão, de 3,16 pontos porcentuais ontem. Essa alta levou o yield que a Grécia paga sobre sua dívida de 10 anos para 6,485%, mais de duas vezes o juro de 3,13% alemão. Após o leilão no mercado doméstico, o spread entre os bônus gregos de 10 anos e os bônus alemães de 10 anos recuou para 3,30 pontos porcentuais.

 

A Grécia captou 20,39 bilhões de euros por meio da emissão de bônus no mercado externo este ano, enquanto sua necessidade de empréstimo está prevista em 54 bilhões de euros em 2010. O custo para refinanciamento de sua dívida em abril e em maio soma próximo de 23 bilhões de euros e os participantes do mercado temem que a Grécia precise tomar mais 10 bilhões de euros nos próximos meses para cobrir essa necessidade e também de seu orçamento.

 

O custo anual de proteção contra eventual default dos bônus gregos durante cinco anos subiu para 333 mil euros, segundo a CMA DataVision, superando os 303,5 mil euros do fim da tarde de ontem e o nível mais elevado desde o início de março. As informações são da Dow Jones.

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