Bovespa abre em alta com maior confiança na Grécia

Notícias de que um acordo deve ser fechado para garantir a liberação da próxima parcela do socorro financeiro ao governo grego devolve o apetite dos investidores ao risco

Olívia Bulla, da Agência Estado,

31 de maio de 2011 | 10h20

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o dia em alta e deve ganhar ritmo neste último pregão de maio, com os mercados internacionais restaurando a confiança em relação à Grécia. As notícias de que um acordo deve ser fechado para garantir a liberação da próxima tranche do socorro financeiro ao país europeu devolve o apetite dos investidores ao risco, estimulando bolsas e commodities (matérias-primas). No Brasil, a queda inesperadamente maior da produção industrial em abril pode ser um contraponto. Às 10h27 (horário de Brasília), o índice Bovespa (Ibovespa) subia 0,91% aos 64.536 pontos.

Depois de operar sem o principal mercado de referência ontem, os negócios locais voltam a mirar o comportamento das bolsas no exterior para ditar o tom do pregão. O ritmo letárgico de ontem tende a ser substituído por certa euforia hoje, em meio às indicações de que a Grécia concordou em adotar novas medidas de austeridade para garantir a próxima tranche do empréstimo da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse que uma resposta definitiva será dada até o fim do próximo mês. Com esses fatores, a Alemanha também diminuiu a pressão por um reescalonamento da dívida grega.

Na avaliação do gestor de renda variável da Infinity Asset, George Sanders, o noticiário mais favorável em relação à Grécia fornece sustentação aos negócios hoje, uma vez que afasta um risco de default (falência) do país - embora ainda seja cedo para dizer se as preocupações sobre a crise das dívidas foram dirimidas. "Hoje os mercados estão firmes", avalia, acrescentando que o último pregão do mês também tende a estimular as operações.

Para Sanders, contudo, os números inesperadamente fracos da produção industrial brasileira em abril podem atuar na direção contrária. "Aparentemente, há uma leitura negativa, mas os dados devem ser incorporados pela Bolsa", com os investidores atentos à repercussão do indicador na curva de juros futuros. Segundo especialistas em renda fixa, as taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) com vencimentos mais longos começam a devolver prêmios, com a ideia de retomada do ciclo de aperto monetário num horizonte à frente sendo revista.

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial caiu 2,1% no mês passado ante o mês anterior, na série com ajuste sazonal, ficando abaixo do piso das estimativas de analistas ouvidos pela Agência Estado. Segundo o instituto, a queda em base mensal foi a maior desde dezembro de 2008. Ante abril de 2010, a produção industrial cedeu 1,3%, com uma queda generalizada entre os setores.

Nos Estados Unidos, a agenda econômica também ganha força. Nesta manhã, a unidade distrital do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) em Chicago informou que o índice de atividade manufatureira no meio-oeste caiu 0,9% em abril, na primeira retração em sete meses. Ainda nesta manhã nos EUA serão divulgados os índices de preços S&P/Case-Shiller de moradias em cidades norte-americanas. Às 10h45 (horário de Brasília), é a vez do índice ISM dos gerentes de compras de Chicago; às 11 horas, o Conference Board publica o índice final de confiança do consumidor em maio. Por fim, às 11h30, o Fed de Dallas anuncia o índice de atividade industrial regional.

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