Bovespa abre em alta, de olho no exterior

Sustentação dependerá do comportamento das blue chips, principalmente a Vale, além do fluxo financeiro

Olivia Bulla, da Agência Estado,

21 de agosto de 2012 | 10h14

A última barreira para a Bovespa mudar de patamar e reaver os 60 mil pontos pode ser ultrapassada nesta terça-feira. Se o sinal positivo que prevalece no exterior nesta manhã permanecer ao longo desse dia fraco em termos de dados e noticiário econômicos, os negócios locais teriam um momento apropriado para superar a forte resistência em torno dos 59,5 mil pontos. Porém, esse movimento de alta também vai depender do comportamento das blue chips, principalmente a Vale, além do fluxo financeiro. Por volta das 10 horas, o Ibovespa subia 0,46%, aos 59.557,48 pontos, na máxima.

O analista gráfico da Ágora Invest, Daniel Marques, lembra que já virou rotina o Ibovespa tocar essa região de forte resistência, que começa a causar certa dor de cabeça. "Dando continuidade aos capítulos iniciados na semana passada, o Ibovespa testou algumas vezes esse ponto que, se rompido, mostra um amplo espaço livre para compra, até os 62,8 mil pontos", diz.

Portanto, ele avalia que a superação dessa barreira colada aos 60 mil pontos é um movimento que vem amadurecendo recentemente e, nesta terça-feira, há uma "chance boa" de ser rompida. Porém, ressalta Marques, esse processo precisa ser acompanhado de volume financeiro ascendente, sobretudo por parte dos investidores estrangeiros. No mês, o saldo de capital externo na Bolsa está positivo em pouco mais de R$ 1,8 bilhão até o dia 16.

O problema é que a liquidez mais fraca atinge os mercados financeiros como um todo ao redor do mundo, em meio às férias de verão no Hemisfério Norte e à ausência de notícias relevantes no front econômico. Ainda assim, as principais bolsas europeias e os índices futuros das Bolsas de Nova York exibem ganhos nesta manhã, com os investidores renovando as esperanças de que o Banco Central Europeu (BCE) e os líderes da zona do euro irão adotar, o quanto antes, mecanismos para contornar a delicada situação fiscal de países da região.

Em relatório, a equipe de analistas da Um Investimentos destaca também que os mercados financeiros apresentam maior otimismo com a provável extensão do prazo grego para atingir as metas fiscais impostas pelos credores internacionais para que o país mediterrâneo continue a receber as parcelas do plano de resgate. Nesta semana, o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, reúne-se com o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

Na opinião de um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista, a Bolsa deve ficar colada ao exterior hoje, diante da escassez de drivers para o dia. Porém, ele lembra que os mercados em Nova York estão muito esticados, próximos das máximas do ano, o que pode incitar uma realização de lucros por lá. Esse embolso de ganhos poderia, inclusive, ser acompanhado internamente, dizimando as chances de o Ibovespa angariar os 60 mil pontos nesta sessão.

O profissional, que falou sob a condição de não ser identificado, chama atenção também para o comportamento das ações da Vale. Para ele, as ações da mineradora vinham pesando na Bolsa, diante da desaceleração econômica na China e das questões judiciais sobre royalties.

Na segunda-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o acordo entre a Vale e o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) sobre o valor da cobrança da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), conhecido como royalties da mineração, deve sair até setembro. Segundo Lobão, as negociações continuam. O ministro não quis adiantar uma estimativa sobre o valor do acordo.

Já do outro lado do mundo, surge a expectativa de que a China possa estimular o consumo interno, diante da demanda mais fraca pelas exportações do país. Segundo um jornal estatal, Pequim estaria considerando a expansão do crédito entre os consumidores chineses para a compra de aparelhos domésticos, móveis e veículos a prazo. No Brasil, o governo ampliou ontem os itens desonerados de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor moveleiro, adequando a lista que fica em vigor até o fim de setembro.

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