Bovespa abre em alta, de olho no exterior

Mas o fôlego encurtado para novas altas nas bolsas internacionais deve esfriar o mercado.

Olívia Bulla, AE

11 de abril de 2013 | 11h52

O fôlego encurtado para novas altas nos mercados internacionais tende a esfriar o ânimo da Bovespa no terreno positivo, após quatro pregões seguidos de valorização. Porém, a queda nos pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos Estados Unidos deve beneficiar uma abertura dos negócios locais no azul. A extensão dos ganhos recentes, contudo, vai depender do comportamento das ações de OGX e Vale, em meio ao noticiário envolvendo essas blue chips. Às 10h05, o Ibovespa subia 0,16%, aos 56.276,67 pontos, na máxima.

O exterior amanheceu de lado, dando os primeiros sinais de cansaço diante da escalada dos índices em Wall Street e das medidas de estímulo monetário vindas dos EUA e, mais recentemente, do Japão. No horário acima, as principais bolsas europeias exibiam alta moderada, de até 0,5%, beneficiadas pelo bem-sucedido leilão de bônus da Itália. Já em Wall Street, o futuro do S&P 500 tinha leve alta de 0,01%, em reação à queda nos pedidos norte-americanos de auxílio-desemprego feitos na semana passada para 346 mil, ante previsão de queda para 360 mil solicitações. O dado da semana anterior foi revisado para cima, a 388 mil pedidos, de 385 mil originalmente.

Em meio à esse comportamento lateral dos mercados externos, as atenções se voltam para o desempenho das ações de primeira linha, cujo intenso vaivém tem influenciado a Bolsa recentemente. É válido lembrar que a proximidade dos vencimentos, de opções sobre ações na segunda-feira e de índice futuro na quarta-feira, tende a aguçar a volatilidade dos negócios.

As ações da petroleira OGX, do empresário Eike Batista, voltam ao foco e devem reagir à notícia de que o Deutsche Bank reduziu o preço-alvo das ações da companhia de R$ 2,00 para R$ 0,80, o que representa um potencial de desvalorização de 48,7% sobre o fechamento de ontem. O banco também reiterou recomendação de venda para o papel.

Os investidores também ficarão de olho na Vale, após a queda expressiva ontem em função da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da cobrança de tributos sobre lucros de subsidiárias de empresas brasileiras no exterior. A decisão de que o governo não pode cobrar o Imposto de Renda (IR) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de subsidiárias e coligadas de empresas brasileiras no exterior, desde que não estejam em paraísos fiscais, não atinge a Vale, como se esperava.

Mas tampouco resolveu a questão para a mineradora, que é a maior interessada na solução do tema, pois tenta se livrar de uma cobrança de cerca de R$ 30 bilhões feita pela Receita Federal. De acordo com fontes ligadas à Vale, o que atinge os interesses da empresa é a discussão sobre a constitucionalidade da cobrança dos tributos de empresas controladas que estejam fora de paraísos fiscais e em países com os quais o Brasil tenha tratado contra a bitributação. O STF não possui uma decisão sobre isso ainda e tratará caso a caso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.